(imagem do Google)
entre prédios imensos
que ofuscam a luz do sol.
As estrelas passam despercebidas
enfraquecidas pelas luzes
de altos candeeiros em betão.
Tudo é cinzento,
o sol mal raia pela janela
para brincar
com o sono da manhã.
E a vida corre agitada,
por entre sons citadinos.
Passos agitados e apressados
calcorreiam a toda a hora
os estreitos passeios.
Buzinas irritadas e ansiosas
ecoam em sintonia com travagens
repentinas e estridentes.
Cheira a freios queimados,
a alcatrão a derreter sob 40 graus,
a fumo, gasóleo e gasolina.
Sou prisioneira
desta selva urbana,
ansiando a libertação.
Célia Gil
também eu me estilhaço em mil pedaços.
Como uma folha,
também eu envelheço
sempre um pouco mais,
até cair e ser pisada
por alguém que passará
sem me ver…
Como uma borboleta,
também eu tento esvoaçar
por entre obstáculos
com que a vida nos afronta,
procurando fugir à captura
de umas mãos
que me querem
presa na moldura
ou a embelezar um álbum
velho e poeirento.
Sou frágil!
E então?
Quem não é?
deixá-lo sem pretérito imperfeito
para nunca mais poder dizer
“Eu queria”.
Assim, apenas quero!
Quero ser feliz,
quero que o mundo seja melhor,
quero a paz e a solidariedade,
quero o amor e a amizade.
Não terei desculpas
para dizer “Eu queria
mas não consegui!”
Só deixarei o presente,
porque quero
e o futuro,
porque quererei.
E, no fim, termino
de forma gloriosa
porque eu quis!
Célia Gil
(imagem do Google)
dedos de trabalhador
poisam na folha de papel
e têm o poder
de plantar árvores
de todas as cores,
numa paleta de ilusões.
Têm o poder
de soltar borboletas
em todo o tipo de flores
num rodopio encantador.
Têm o poder
de tirar de uma pedra
a verdade,
de tornar a água da mina
numa nascente translúcida,
caindo em cascatas
onde se banham musas.
Têm o poder de fazer
bailar as palavras
em conotações desconcertantes.
Têm o poder
de brincar com as letras,
depositá-las ao acaso
até que delas se desprenda
aquela mensagem única,
a tirada irreverente,
a ironia estonteante,
a moral certeira.
Pasmo perante
este monstro da escrita
e do campo,
que com o seu canto
encanta os campos
e dá-lhes novas cores e significados.
Célia Gil
Ser feliz é um conceito desejado, por todos ansiado. Mas o ser humano quer uma felicidade plena, pensando encontrá-la na realização material, na procura do topo a nível profissional. Mas nunca alcança o que realmente deseja, porque esse desejo é infinito. Quanto mais alcança, mais deseja alcançar. E esquece-se sempre que os momentos mais felizes ficaram pelo caminho, porque se lhes fecharam portas, numa sede de poder, na procura de um bom estatuto na sociedade. Movidos pela ganância e egocentrismo, numa vida apressada, numa luta desenfreada. Atingido o topo, resta um ser vazio, sem vida, de quem não soube viver a felicidade, porque esta não estava no topo, como erroneamente pensou, mas no percurso, naquele percurso em que, quando havia possibilidade de a encontrar, lhe virou as costas e a ignorou.
Célia Gil
Célia Gil
(imagem do Google)
Há pequenas coisas
que indiciam
o rumo que queremos
dar às nossas vidas.
Pequenos gestos,
como o de puxar o cabelo
para trás da orelha,
um carícia leve no rosto,
um roçar de lábios,
um piscar de olhos,
um elogio…
Dão sentido à nossa vida.,
completam-nos
e dão-nos segurança.
É a cumplicidade
a protagonizar
o romance da vida,
a transformá-lo
numa história de amor
que queremos eternizar.
Célia Gil

(imagem do Google)
tudo o que quero ouvir.
Escuto a minha voz interior
a confessar-me ilusões,
a sussurrar-me emoções,
a desabafar desilusões,
a implorar orações.
E eu sorrio,
sinto a paz invadir-me.
Ah, silêncio reconfortante!
Sílabas murmuradas,
lentas letras alinhavadas,
cigarras em sintonia
no som que preenche o meu dia,
som do meu silêncio!
Célia Gil
(imagem do Google)
os meus olhos tinham o brilho
de segredos por desvendar,
de sonhos por alcançar,
de mares por navegar.
Tudo era fantasia,
pura alegria…
Nos meus tempos de infância
os meus olhos tinham o brilho
de aventuras por viver,
de histórias por conhecer,
de palavras por perceber.
O futuro sorria-me
e em troca recebia o meu sorriso
em lábios vermelho papoila.
Hoje os meus olhos ainda brilham
por recordar tudo quanto vivi,
por conhecer as pessoas que conheci
e porque não quero perder totalmente
a criança que foi a minha semente.
Célia Gil
Anoiteceu de repente
quando o sol se escondeu
na encosta para sempree tudo escureceu.
Os donos da casa fugiram
o pior logo temendo.
Sendo pleno dia sentiram
que algo estava acontecendo.
À luz da vela, pelo meio dia
aos céus ergueram cântico profundo.
Mas, entretanto já a Lurdes dizia
“Ai homem, que é o fim do mundo!”
não ficou de patas cruzadas,
foi anunciar às éguas a novidade,
deixando-as muito preocupadas.
O cão logo ali reuniu
todos os animais da herdade
e cada um sugeriu
que se descobrisse a verdade.
“Anoiteceu porque o sol
quis mais cedo se deitar”
sugeriu o caracol
cansado até de falar.
para mais estrelas chocar”
disse a galinha a meter-se
sem saber do que estava a falar.
e está apenas a descansar”
afirmou o papagaio Dirceu
que gosta muito de opinar.
“Eu julgo que ele foi guloso
comeu todas as nuvens doces do céu”,
disse o gato Charmosoa pensar no irresistível pitéu.
“Não digam tantas parvoíces,
o sol zangou-se e fugiu
porque os humanos lhe dão chatices”
respondeu o cão, enquanto sorriu.
Todos ponderaram no que ele disse
e concordaram prontamente,
mas agora a maior chatice
era trazer o sol novamente.
Logo o burro se ofereceu
para ir buscar um escadote,
subiriam ao céu
e meteriam conversa com o atrevidote.
Assim foi, dito e feito,
entre todos arranjaram
maneira de dar um jeito
e o escadote montaram.
Encostado à velha amendoeira,
tiraram à sorte quem iria,
logo o cão tomou a dianteira
e decidiu que ele seria.
Subiu por entre a escuridão
a escada que parecia não ter fim,
enquanto esperavam, ansiosos, no chão,
que o plano não fosse ruim.
Sorrateiro, lá ia o cão,
passo a passo, pata ante pata,
até deixar de ver o chão
e se dirigir ao cimo da escada.
numa nuvem o sol estava,
chorava como um petiz
o brilho quase lhe faltava.
No seu discurso eloquente,
o cão conseguiu convencê-lo
a voltar, porque toda a gente
queria voltar a vê-lo.
O sol, envergonhado com a sua atitude,
jurou jamais voltar a desaparecerquando viu a inquietude
de todos quantos queriam vê-lo.
E os donos da casa orando a Deus,
agradeceram o milagre divino,
ignorando que o mérito não era Seu
mas do seu inteligente canino.
E o cão foi pelos animais aclamado
como o chefe da herdade,
por todos foi nomeado
pela coragem e lealdade.
Célia Gil
(imagem do Google)
Porque sabes bem que isso é falsidade.
Não digas que tenho o mundo na mão
À doce ilusão prefiro a verdade.
Deixa-me admitir que sou imperfeita,
Deixa-me acreditar que eu sou assim.
Não quero ser a escolhida, a eleita
Mas dar o que guardo dentro de mim.
Quero aprender com os erros e crescer,
Nos erros o castigo merecido
Para com eles eu amadurecer.
Quero levantar-me quando cair,
Deixar o erro sempre corrigido
Para conseguir erguer-me e seguir.
Célia Gil
(imagem do Google)
de frondosos ramos que me abraçam,
suspiro, aspiro
absorvo o mundo inteiro.
Do meu lado direito
estendem-se os vales
que dormem ao calor da tarde.
A erva ondula-se,
insinua-se
à passagem serena da brisa.
Acordo da letargia,
pego nos óculos e no meu livro
e mergulho na fantasia.
Já sou eu a correr pelos vales,
a erva o meu cabelo a ondular,
levantado pela brisa a soprar.
E tu, meu príncipe,
já corres para mim,
me abraças loucamente,
por baixo do pinheiro do amor.
Sou a heroína do livro,
a bela mulher do romance.
E, de olhos fechados,
altero a história,
vivo o suspense,
sinto o sabor da vitória.
E é a brisa
que me sopra nos ouvidos,
me conta que tudo foi um sonho.
Desperto, de novo, para a vida.
Célia Gil
Bem ou mal edificas o futuro.
Levas o Bem se acaso o semeaste;
o mal, se acaso o bem tornaste impuro.
E quando a coragem quiser fugir,
algema-a e mantém-na em teu poder,
só assim conseguirás construir
o que da tua vida queres fazer.
À coragem uma pitada de paixão
junta, sem esquecer de misturar
persistência, engenho, arte e coração.
Faz de ti tudo o que mais desejares,
para que te possas sempre orgulhar
ao colheres tudo quanto plantares.
Célia Gil
Sobre mim
Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.
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