Histórias Soltas Presas Dentro de Mim
Finalmente, com as chamas mais controladas (esperemos que não haja mais incêndios), venho mostrar uma das belezas que a natureza proporciona em Portugal.

De Lagos à Ponta da Piedade, a natureza foi moldando rochas a seu belo prazer, criando formas incríveis, onde o dourado das rochas nas quais incide o sol ou o cinza contrastam e realçam um mar límpido, transparente, chegando a adquirir tonalidades azul turquesa ou verde esmeralda, quando o sol incide na areia e se projeta por baixo das rochas, num esplendor único e que vale a pena visitar.

Cada gruta é um mundo. Os barcos mais pequenos e os caiaques transportam os turistas numa visita que fica na memória e cuja beleza é difícil de reproduzir através das palavras.

Ao longo dos anos, este local tem instigado o imaginário dos pescadores, que foram dando nomes a cada uma das grutas e a cada figura que as rochas nos oferecem. E o certo é que realmente, se prestarmos atenção, conseguimos vislumbrar esse imaginário que se foi cultivando.

Passo a mostrar algumas das grutas e figuras nas rochas, entre as quais a garagem, a cozinha, a gruta do amor, a catedral, a gruta do Picasso (que Sophia de Mello Breyner Andresen gostava muito de visitar), o bolo de noiva, a caveira, o elefante, o Titanic, a garganta e tantas outras, onde ainda é possível ver o fundo do mar, os peixes...









































É ou não fantástico?


Estive de férias. Se foram boas? Sim, foram.

Só não foram melhores, porque o meu coração estava na minha terra, no meu Fundão, fustigado por incêndios à proporção de uma calamidade.

Vivenciar, ao longe, a destruição da nossa serra da Gardunha, consumida por chamas infernais, foi muito doloroso.

A nossa Gardunha antes

A Gardunha fustigada pelas chamas numa extensão incalculável.

Uma dor de alma

Um paraíso - Natura Glamping

As chamas que destruíram toda a área envolvente do Natura Glamping, tendo ardido um dos Globos e sendo destruída toda a paisagem que ofereciam.

O histórico colégio jesuíta de São Fiel, onde estudou Egas Moniz, primeiro prémio Nobel Português.

O colégio em chamas.


 Estive constantemente em contacto com pessoas que me iam pondo a par, vi filmagens, fotos, depoimentos. Só quem passou, sabe a dor...o medo...o pânico!

Cheguei ontem ao Fundão e pude aperceber-me da dimensão das consequências. Uma vasta floresta reduzida a cinzas. O que antes era tão bonito, verdejante, inspirador, está reduzido a um preto de morte. Só tive vontade de chorar e gritar.

Fica uma revolta por quem é capaz de incendiar por prazer, por interesse ou seja lá por que motivação for, pondo em risco tudo. Responsáveis por:
- localidades que arderam em cerca de 90% da sua área;
- aldeias que deixaram de existir;
-pessoas que ficaram sem nada, sem as suas casas, os seus campos, as suas fontes de rendimento;
- animais mortos e/ou feridos;
- pessoas que não abandonaram as suas casas, apesar de lhes ter sido pedido que se afastassem, a lutar pelos seus bens, que levaram uma vida a conseguir;
- pessoas que ficaram sem alimento para os seus animais e mesmo sem os animais;
- pessoas que morreram.

O rosto do desalento e da dor.


Só posso sentir-me de luto.

Chego ao Fundão e vejo, mais uma vez, o medo, desta feita na Covilhã, a debater-se com o mesmo suplício, o mesmo terror. Quando acabará este inferno? Não há palavras suficientes para descrever a dor, o medo e o pânico que se tem vivido.
A nossa Serra da Estrela antes

O inferno na Estrela

Ficaremos aqui a tentar reerguer-nos dos destroços, num local votado à indiferença e ao abandono, que muitos não sabem existir...
Reerguer-nos-emos das chamas qual Fénix renascida, mas não será nada fácil. Um longo caminho pela frente, tais as marcas que foram infligidas a estas gentes de coração enlutado,  sem forças, numa luta inglória
(imagens pesquisadas no Google) 

                                                                                                                                          Célia Gil



(imagem daqui)

Amo-te porque te quero,
porque ainda te acaricio
com a doçura dos meus olhos.
Amo-te porque te desculpo
falhas que só o amor sabe ignorar.
Amo-te porque te respeito,
te admiro e te desejo.
Amo-te porque me amas,
pois, por mais que te amasse,
nada deixaria que mendigasse
migalhas do teu amor.
Amo o meu amor próprio,
aquele que te sabe amar.
aquele que te compreende,
aquele que te sabe desejar,
aquele que ainda te surpreende.
Amo-te como te sei amar!
                                           Célia Gil
O verão é a minha estação preferida, por razões diferentes, a par da primavera.

Gosto do verão, da acalmia dos dias, da tranquilidade, de poder descansar para retemperar energias, que serão tão necessárias para o novo ano de trabalho que aí vem!

Gosto do sol, da piscina, do mar e das leituras que tenho tempo para fazer.

Gosto de poder dormir sem ter de me preocupar com as horas. 

Gosto até de ter tempo para organizar tudo, limpar e dar novo brilho e cores ao lar.

Gosto da fruta madura, sumarenta a sorrir-nos nas árvores, dos gelados, dos refrescos.

Gosto dos petiscos, de ser dia até mais tarde, de aproveitar melhor cada momento do dia.

Gosto de passear, de estar com os meus filhos e o meu mais que tudo.

Gosto definitivamente do verão. Tempo de:
Ler, dar um mergulho, beber um refresco ou até um gin.


Comer uma fruta sumarenta e fresquinha


Brincar com as pedras da praia

São realmente coisas boas!

Aproveito para deixar uma proposta de leitura, que nos faz tão bem e nos enche a alma:



Com a morte dos seus pais, dois famosos ambientalistas, num acidente de viação, Kara Whittenbrook, que crescera entre a selva amazónica e os mais prestigiados colégios da elite americana, é herdeira de uma vasta fortuna e de um segredo que mudará para sempre a sua vida e a fará procurar a sua essência. Ao descobrir em documentos guardados pelos pais que foi adotada, decide partir com o intuito de conhecer os seus pais biológicos. Um incidente leva-a ao rancho onde eles trabalham. São, segundo o rancheiro que lhes dá emprego (Ben), gente singular (Mac e Lily). Com o objetivo de conhecê-los e descobrir os motivos que os levaram a dá-la para adoção, aceita ficar a trabalhar no rancho, onde acaba por se sentir cada vez mais próxima de toda a gente singular que ali trabalha. São pessoas com necessidades especiais e que Bem empregou, por acreditar na integração, talvez por ter um irmão (Joey) com Síndrome de Down, que nos cativam a cada parágrafo da história. Puros, genuínos, alegres e fascinantes. São personagens que sentimos vontade de abraçar, que nos levam a chorar quando nos tocam com a sua ingenuidade tão sábia e tão pura. Vemo-nos a desejar que sejam felizes e protegidos para sempre.
Kara torna-se para eles no seu amuleto da sorte. Para os ver felizes, acaba por treinar uma égua, à qual deram o nome de Estrela, que tinha sido resgatada da morte, considerada desobediente e violenta. Kara descobre que a felicidade não está apenas no que os livros lhe ensinaram. As coisas mais simples podem constituir um poço de sabedoria, para além de transmitem valores tão importantes como a amizade e a tolerância.
Mas como poderá Kara confessar a Ben que não é Karen, como se apresentara no rancho, que é milionária e que é filha de Mac e Lily, e que está irremediavelmente apaixonada por ele?

Deborah Smith é uma das autoras americanas mais lidas em todo o mundo: a sua obra já vendeu mais de três milhões de exemplares. Nomeada para diversos prémios importantes, como o RITA Award da Romance Writers of America e o Best Contemporary Fiction da Romance Reviews Today, foi distinguida com o Prémio de Carreira atribuído pela Romantic Times Magazine. No catálogo da Porto Editora figuram os seus romances A Doçura da Chuva , Segredos do Passado e Milagre , que obtiveram assinalável êxito junto dos leitores portugueses.

Bom verão e boas leituras!
                                     
                                           Célia Gil








Chorei, quando te vi partir,
por mim, por ti, por nós.
Chorei a vida por partilhar,
a história por contar,
o sorriso por sorrir.

Chorei, quando senti o vazio
que deixaste por aqui.
Chorei ao sentir o chão frio
nas pisadas que te segui.

Chorei, quando a porta se fechou
para sempre, eternamente.
Chorei porque tudo ficou diferente
e não me reconheço no que ficou.

Chorei a tua, a minha tristeza,
por ti, por mim, por nós,
pela história interrompida.
Chorei porque ficámos sós,
com uma única certeza,

a de que a porta se fechou
irremediavelmente se encerrou
para sempre,
eternamente.

                                Célia Gil
                              (27/07/2017)







O poder da leitura é inigualável. 

A leitura despoleta no leitor o desejo de mais leituras, ficando este ansioso por empreender a leitura de um novo livro mal tenha terminado outro, isto caso não esteja a ler vários livros ao mesmo tempo. Este leitor assíduo é aquele que sente um vazio entre uma leitura e outra. Um bom leitor, ainda que difícil de definir, será, talvez, aquele que consegue, através da leitura, manter-se informado, instruir-se gradualmente, obter uma crescente capacidade argumentativa, ganhar um poder ativo e interventivo enquanto cidadão, mas, ao mesmo tempo, nunca perdendo a capacidade de sonhar, de se reinventar e de se encontrar e reencontrar no prazer da leitura. 

É preciso empreender, acreditando, um trajeto para os mais jovens que os leve à perceção da importância da leitura, mas também da magia que tem ao permitir ao leitor continuar sempre a sonhar. Nesse sentido, torna-se necessário facultar-lhes a capacidade interpretativa. A leitura pressupõe a compreensão de signos e a produção de sentidos, que faculta uma interação entre o leitor e o texto. 

O sonho, o devaneio, a criatividade, a sensibilidade e o imaginário, vêm, quanto a mim, complementar o conhecimento, a criação e a transformação. É ao perspetivar a realidade de forma individual, que o leitor cria novas realidades através da imaginação, ideais que vêm dar novo sentido e cor a realidades insatisfatoriamente gastas. 

E a motivação para a leitura nos mais novos, tem necessariamente de passar por aí, correndo o risco de os desmotivar logo, à partida, para a descoberta da leitura, que deve ser vista precisamente como um universo mágico, irreal, que permite sucessivas recriações do mundo, onde tudo é possível, onde tudo pode acontecer. É essa magia criada na motivação para a leitura que vai prender a criança a esse mundo imaginário, ficcional, que lhe permite viajar por onde nunca viajou, conhecer novos espaços, confrontar-se com uma nova noção do tempo. 
                                                                                           

                                                                     in Gil, Célia (2016). Dissertação de Mestrado.


Há dias de inverno,
em que a chuva e o vento,
invadem as nossas vidas.
E com profundo lamento,
deixam as almas perdidas,
as forças entorpecidas.
Um frio por fora e por dentro,
uma incapacidade de movimento...

Há dias simplesmente cinzentos,
vazios de movimentos,
de um nada querer por fora
de um nada crer por dentro.
São dias em que me ausento
de mim, em mim, por mim.
Em que nada faz sentido,
e cada gesto que faça
é mais um gesto perdido,
que não larga nem enlaça.

Há dias de um sol intenso,
que brilham por fora
e preenchem por dentro.
São dias de movimento,
de um querer imenso,
de um crer em pensamento.
Dias de amor,
dias de paz,
dias de ficar,
em que tudo se faz,
num torpor
de acreditar!
                  Célia Gil
(imagem daqui)


      Não podia deixar de manifestar o meu pesar pelas políticas hoteleiras que promovem o abandono de animais ao não permitirem que estes possam ficar hospedados com os seus donos. 
     O Dragão é um cão que está connosco vai fazer a 14 de agosto 13 anos. Está velhinho, tem um problema cardíaco e não pode ser deixado com ninguém, pois fica nervoso na nossa ausência. 
    Este fim de semana fomos à Figueira da Foz e foi neste momento que me apercebi que o único hotel a aceitar animais (com uma taxa acrescida de 15 euros) foi o hotel Ibis. É incrível, um único hotel. Na Figueira e arredores (Quiaios, etc) não aceitaram o meu cãozinho, que precisa que lhe demos medicação, atenção e carinho e que está habituado a estar sempre connosco. Fomos para o Ibis. Pagámos mais. Mas não abandonámos o Dragão. E reforço que os hotéis promovem o abandono de animais, ao não permitirem a sua presença!!!!!
    O meu cão é limpinho, não larga pelo, porta-se melhor do que muitas pessoas e não deixa nada sujo, não faz barulho, não destrói, não bebe, não fica na conversa até altas horas, não leva toalhas nem lençóis na mala. 
     Não estará na hora de os hotéis se modernizarem e  abrirem as mentes?

     Onde estão os princípios, a ética, a moral? 

    NÃO ao maltrato e ao abandono dos animais!
                                                                                       Célia Gil


             

Não pode ser,
não posso aceitar
que a vida passe assim,
sem pestanejar,
sem que se chegue a hora,
pois nunca é a hora
para um virar de página,
numa história que nunca chega ao fim.
Não quero voltar a sentir
a dor da despedida;
a solidão a espreitar pela porta,
que deixarás entreaberta,
a dominar as nossas vidas;
o silêncio a preencher as paredes
de encontro à nossa alma;
o vazio dos dias
a esvaziar-nos as mentes
e a roubar-nos as forças.
Não quero,
não posso querer,
ainda que saiba que é assim,
ainda que saiba que os pássaros voam,
ainda que saiba...
No meu peito há um ninho 
tão vosso,
tão nosso,
que não posso...
                              (07/07/2017)
                                 Célia Gil
Cruz, Afonso (2010). Os Livros que Devoraram o Meu Pai. Alfragide: Caminho.

Integrado no Plano Nacional de Leitura, na categoria de Leitura Autónoma (3.º Ciclo), Os Livros que Devoraram o Meu Pai é um livro imperdível e que pode ser lido por várias gerações.
Com um sentido de humor notório e uma criatividade linguística que prendem o leitor nas primeiras linhas, é impossível não se envolver pelo jovem Elias Bonfim, que nos conduz em aventuras imperdíveis. Quando fez doze anos, Bonfim foi presenteado com a chave do sótão, onde estavam os livros do seu pai, que desaparecera por um livro adentro, A Ilha do Dr. Moreau. O pai deixara instruções precisas, uma verdade revelada pela avó, cujas palavras “vinham cheias de cabelos brancos”, na sua voz um pouco “amarrotada”. O pai não fora apenas um colecionador, mas um leitor voraz, que acaba por incutir no filho o interesse pela leitura.
Como seria este sótão? Que livro começou Bonfim por ler? Afinal, até que ponto a personagem do livro A Ilha do Dr. Moreau, Edward Prendick, é real? E quem seria o Dr. Zirkov, “que usava uns olhos pequeninos escondidos atrás duns óculos” e que também era mencionado no enigmático livro? Como terá decorrido o encontro de Bonfim com o Dr. Zirkov? Muitas são as questões que se vão colocando ao leitor à medida que avança na leitura, cada vez mais absorvido, cada vez mais devorado pelo livro.
E quando, a par destas aventuras emocionantes, há uma Beatriz na escola, cujos cabelos negros “deslizavam pelos ombros, como o cheiro do café desliza pela chávena”, a quem Bonfim não resiste, tal como o Bombo, o jovem das histórias chinesas.
Não posso terminar sem apresentar um excerto cativante:
«Uma biblioteca é um labirinto (…) Porque nós somos feitos de histórias, não é de a-dê-enes e códigos genéticos, nem de carne e músculos e pele e cérebros. É de histórias (…) Há inúmeros lugares onde um ser humano se pode perder, mas não há nenhum tão complexo como uma biblioteca.»
Usa-se muito a expressão “devorar um livro” para marcar aquelas obras que queremos ler até ao fim sem parar. Foi muito divertido pensar na hipótese inversa, porque também o livro pode devorar o leitor, prendendo-o e impedindo-o de deixar com facilidade a história por que foi envolvido.


Além de escritor, Afonso Cruz é também ilustrador, cineasta e músico da banda The Soaked Lamb. Nasceu em 1971, na Figueira da Foz, e viria a frequentar mais tarde a Escola António Arroio, em Lisboa, e a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, assim como o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e mais de cinquenta países de todo o mundo. Já conquistou vários prémios: Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010, Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009, Prémio da União Europeia para a Literatura 2012, Prémio Autores 2011 SPA/RTP; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011, Lista de Honra do IBBY – Internacional Board on Books for Young People, Prémio Ler/Booktailors – Melhor Ilustração Original, Melhor Livro do Ano da Time Out 2012 e foi finalista dos prémios Fernando Namora e Grande Prémio de Romance e Novela APE e conquistou o Prémio Autores para Melhor Ficção Narrativa, atribuído pela SPA em 2014.
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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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