Depois de tanto tempo sem aparecer, aqui estou eu, esperando que seja novamente para ficar.
Primeiro foi o ano cansativo de trabalho que tive. Depois das férias, foi o ser confrontada com a possibilidade de ficar sem emprego...
Só agora, já com algumas garantias, me senti com forças para regressar.
Estive tão triste que nem escrever conseguia. Só espero que a inspiração não se tenha esvaído com a tristeza de sentir que o meu querido país sentiu, depois de 21 anos de trabalho, que não fazia falta e que podia perfeitamente ficar sem trabalho. É triste toda a situação, os mega-agrupamentos de escolas, em que é quase impossível a uma só direção manter um ensino personalizado e de qualidade. O que interessa é a quantidade que podem poupar. Então, junta-se uma panóplia de escolas e, consequentemente, reduzem-se assistentes operacionais, professores, as turmas aumentam, e as escolinhas quase caseiras que tínhamos tornam-se fábricas de alunos em que o que interessa verdadeiramente não são os alunos e sim a economia do país. Se é preciso uma injeção de capital no país, então por que não mandar para a rua milhares de funcionários? É este o país da treta em que agora estou, e é triste quando nos sentimos a mais na nossa escola, no nosso país, quando onde há realmente gente a mais é na política!
Na minha escola, que era uma escola básica de 2º e 3º ciclo, nunca tive horário zero. Na escola ao lado, a secundária, quase sempre houve dois horários zero no nosso grupo de português. Ao juntarem as escolas, a nossa ficou, evidentemente, prejudicada. É muito triste e injusto.
Não sei é como conseguem dormir os nossos políticos sem se preocuparem com o facto de deixarem tanta gente sem emprego, nomeadamente famílias com filhos menores dependentes. Provavelmente, a instabilidade que os nossos filhos sentem em nós, ir-se-á refletir neles, e cedo começa a revolta, palavra que as crianças nem deviam conhecer, mas que muito novas vão descobrindo à força e com a política que temos. Onde está a esperança? Já não é possível às crianças de hoje viverem na ilusão das histórias de encantar, quando veem destruir todos os castelos em seu redor. É este o país/mundo que queremos? Mas é este o país/mundo que temos!
Desilusão
O que há em mim
hoje
é a solidão
existencial
que me deixa à
deriva.
Procuro-me no vazio
e encontro o nada.
Há momentos na vida
em que somos
soldados da paz,
espalhamos amor,
vivemos amizades,
partilhamos
respeito,
proclamamos fé,
seguros de nós,
autoconfiantes.
As dúvidas derrubam-nos
as certezas que se
tornam questionáveis.
Demoramos anos a
acreditar
em coisas que, num
minuto,
perdem a
credibilidade.
Vem a ansiedade
semear na alma o
desespero.
Vem a angústia
questionar a fé
e pô-la à prova.
Vem a desilusão,
qual vendaval,
levar o amor
soprando-o até ao
abandono.
Vem a falsidade
qual sismo
abrir fundas fendas
no sentido
da própria vida.
Vem a insegurança
roubar a
autoconfiança,
deixar o ser na
solidão.
O ser antes
confiante
é hoje alguém que
jaz,
só, triste e
errante.
E o soldado da paz
deposita as armas
no chão,
cansado de lutar
sozinho
por uma causa que
cria nobre,
mas que não passa
de causa vã.
Célia Gil
Pátria morta
Quando penso no meu querido
País,
relembro um passado vitorioso,
heróis com grandes feitos gloriosos,
construíram uma Pátria feliz.
Orgulho retratado n'Os Lusíadas
pelo grandioso poeta Camões,
qual Nação escolhida que elegias
p'ra enaltecer a maior das Nações.
Mas os heróis caíram por terra,
rendidos numa nação sem esperança,
personagens de quem já nada espera.
Tão somente o desespero e a derrota
que levam ao crime e insegurança,
deixando-nos uma pátria morta!
Célia Gil