O Arco-Íris, Yasunari Kawabata

 Kawabata, Yasunari (2024). O Arco-Íris. Lisboa: Publicações Dom Quixote.

Tradução:Francisco Agarez
N.º de páginas: 208
Início da leitura: 24/08/2025
Fim da leitura: 27/08/2025

**SINOPSE**
"Poucos anos depois de terminada a Segunda Guerra Mundial, e com o Japão ainda abalado pelos seus efeitos, duas irmãs - filhas do mesmo pai mas de mães diferentes - esforçam-se por compreender o novo mundo em que caminham para a idade adulta. Asako, a mais nova, vive obcecada pelo propósito de encontrar uma terceira irmã, ao mesmo tempo que experimenta o amor pela primeira vez.

Enquanto isto, Momoko, filha primogénita do seu pai - assombrada pela perda do namorado kamikaze e pelos últimos dias tormentosos que viveram juntos -, procura refúgio numa série de romances doentios e ambas se sentem incapazes de escapar ao legado das suas falecidas mães.

Romance sensível e profundo sobre os persistentes traumas da guerra, os indestrutíveis laços familiares e a inelutabilidade do passado, O Arco-Íris é uma obra lancinante e melancólica de um dos maiores escritores japoneses."
Há livros que não se deixam ler à pressa, e O Arco-Íris de Yasunari Kawabata é precisamente um desses. A narrativa move-se como a luz que se reflete na água: subtil, demorada, muitas vezes indecifrável à primeira vista, mas carregada de uma beleza que só se revela a quem aceita o compasso lento da contemplação.

Kawabata, conhecido pelo seu estilo delicado e profundamente introspetivo, constrói aqui uma história que não procura o enredo imediato ou a catarse fácil. Antes, convida o leitor a entrar num espaço onde as personagens vivem entre silêncios, memórias e pequenas epifanias quotidianas. Há uma cadência quase musical na forma como descreve os gestos, os lugares, os olhares — como se cada detalhe fosse um fragmento de vida suspenso no tempo.

O arco-íris do título funciona menos como metáfora óbvia e mais como uma presença difusa: algo que surge e desaparece, que não se pode reter. Do mesmo modo, a própria narrativa escapa à ânsia de linearidade; é feita de imagens que brilham e logo se dissipam, obrigando-nos a ler devagar, a regressar a passagens, a aceitar que a plenitude está no intervalo entre as palavras. É essa mesma recusa de velocidade que torna o romance profundo: Kawabata não descreve apenas acontecimentos, mas a forma como eles ressoam no íntimo das personagens.

Longe de ser uma leitura “fácil” ou de consumo imediato, O Arco-Íris exige entrega, como quem contempla um jardim em silêncio até reparar que cada folha, cada sombra, guarda uma história. 

Apesar de reconhecer estas qualidades e de apreciar muito os livros de Kawabata, reconheço que este me custou a ler. Não é, definitivamente um livro para ler no verão, entre mergulhos. Será, talvez, ideal para nos acompanhar em dias de outono ou inverno, entre um chá ou café, com uma manta, no sofá. Assim, achei a história um pouco monótona e repetitiva.

0 Comentarios