sexta-feira, 4 de maio de 2012

Dia de memórias tristes

Célia Gil

(imagem do google)


Hoje é daqueles dias
que me doem.
Daqueles dias 
que me comprimem o peito.
Imagens, memórias
percorrem-me a mente
mesmo sem querer,
são mais fortes que eu própria.
Hoje é daqueles dias 
em que todo o meu ser chove,
em que até me agonia
nos outros a alegria.
Os sorrisos que vejo
são desprovidos de sentido,
não correspondem ao que sinto.
Não quero ser egoísta,
mas a minha tristeza
quer apoderar-se dos meus olhos
e não consente outro sentimento.

E vejo-te, mãe,
vejo-te ainda mais que nos outros dias,
a tua mão morrendo na minha,
os teus dedos deixando
de pressionar os meus.
Sinto o peso desse abandono
e vejo a morte entrar em ti,
aos poucos, desde a ponta dos dedos
até se apoderar do teu coração.
Os teus dedos ficam roxos e frios,
frio que se apodera da minha alma
que recusa perder-te.

Serei sempre o teu passarinho,
tu, que me ensinaste a voar,
que me deste os alicerces
para ser quem sou.

Há dias assim...
                              Célia Gil

Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

9 comentários:

  1. Tristeza mesmo expressa em teus lindos versos! Essa dor é forte mesmo, ver a mãe ir embora... Grande saudade!!beijos,fica bem!chica

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  2. Sempre há dias em que aquelas memórias supostamente esquecidas, deixadas um pouco de lado para dar lugar a felicidade e ao sorriso, vem a tona para lembrar que existiram.

    Não há dor maior que a da perda, seja das pessoas que abandonam o corpo, ou daquelas que simplesmente vão embora da nossa vida por trilharem caminhos distintos aos nossos. O vazio sempre existirá e não importa qual palavra de consolo que venham nos oferecer, não importa a solidariedade que venham a nos prestar, a dor sempre existirá. Alguns dias, a ferida arde a ponto de se converter em lágrimas, outras vezes é mais branda e quase não chega a doer. Mas alguma coisa sempre faz falta.

    Beijos!

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  3. Oi Célia,

    Há dias assim... em que nos sentimos sufocar de dor e saudade.
    Também vi meu pai ir embora, num leito de hospital. Vi seu último suspiro. Tentei reanimá-lo, mas em vão. Era sua hora. Ficou a saudade e as lembranças dos bons momentos.

    Emocionei-me.

    Fique bem.

    Beijo.

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  4. oi Celia,

    pra todos nós Há dias assim,
    tanta dor e tanta saudade,expressas em lindos versos...

    beijinhos

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  5. Oi Célia, conheço bem a dor dessa saudade, há dias em que nada nos conforta.

    Beijos

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  6. Um carinho de um filho é magico...
    Beijo Lisette.

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  7. Prof. Célia, está dor compartilho com você e sei por propria experiencia quão desagradável seja estes dias, mas eles são e serão sempre reais. Porem, chega um dia que nós seremos o pássaro de olhos fechados e os nossos filhos serão nós a gritar por mais um tempo, no entanto não possivel será, afinal, somos todos seres vivos e o que é vivo é natural que um dia se vá. Beberemos desta dor e deixaremos ela a alguem, é nosso ciclo vital.
    Um grande abraço!

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  8. Célia lindo e triste, há dias que realmente só nos conseguimos nos lembrar do que nos marcou com o fogo da dor, da consumição, mas minha linda, nestes dias eu tento afastar as lembranças do fim e recordar as cenas de amor de alegria, faço assim com mamãe, papai e minha irmã querida, dá certo, choro de saudades, mas é um choro de amor não de dor, beijos Luconi

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  9. Célia, Querida

    A Dor, enquanto dói forte, é a lembrança que nos faz clamar. Tudo o mais não tem sentido.
    Passada, torna-se apenas lembrança, mas deixa de ser cruel.
    Não encontrar sentido nas alegrias de quem nos rodeia, é um sentimento humano algo despido de compreensão e Amor.
    A vida é distribuída pelos demais, alternadamente com o nosso tempo.
    Um belo Poema.


    Beijos

    SOL

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