domingo, 20 de agosto de 2017

Os incêndios na região centro

Célia Gil
Estive de férias. Se foram boas? Sim, foram.

Só não foram melhores, porque o meu coração estava na minha terra, no meu Fundão, fustigado por incêndios à proporção de uma calamidade.

Vivenciar, ao longe, a destruição da nossa serra da Gardunha, consumida por chamas infernais, foi muito doloroso.

A nossa Gardunha antes

A Gardunha fustigada pelas chamas numa extensão incalculável.

Uma dor de alma

Um paraíso - Natura Glamping

As chamas que destruíram toda a área envolvente do Natura Glamping, tendo ardido um dos Globos e sendo destruída toda a paisagem que ofereciam.

O histórico colégio jesuíta de São Fiel, onde estudou Egas Moniz, primeiro prémio Nobel Português.

O colégio em chamas.


 Estive constantemente em contacto com pessoas que me iam pondo a par, vi filmagens, fotos, depoimentos. Só quem passou, sabe a dor...o medo...o pânico!

Cheguei ontem ao Fundão e pude aperceber-me da dimensão das consequências. Uma vasta floresta reduzida a cinzas. O que antes era tão bonito, verdejante, inspirador, está reduzido a um preto de morte. Só tive vontade de chorar e gritar.

Fica uma revolta por quem é capaz de incendiar por prazer, por interesse ou seja lá por que motivação for, pondo em risco tudo. Responsáveis por:
- localidades que arderam em cerca de 90% da sua área;
- aldeias que deixaram de existir;
-pessoas que ficaram sem nada, sem as suas casas, os seus campos, as suas fontes de rendimento;
- animais mortos e/ou feridos;
- pessoas que não abandonaram as suas casas, apesar de lhes ter sido pedido que se afastassem, a lutar pelos seus bens, que levaram uma vida a conseguir;
- pessoas que ficaram sem alimento para os seus animais e mesmo sem os animais;
- pessoas que morreram.

O rosto do desalento e da dor.


Só posso sentir-me de luto.

Chego ao Fundão e vejo, mais uma vez, o medo, desta feita na Covilhã, a debater-se com o mesmo suplício, o mesmo terror. Quando acabará este inferno? Não há palavras suficientes para descrever a dor, o medo e o pânico que se tem vivido.
A nossa Serra da Estrela antes

O inferno na Estrela

Ficaremos aqui a tentar reerguer-nos dos destroços, num local votado à indiferença e ao abandono, que muitos não sabem existir...
Reerguer-nos-emos das chamas qual Fénix renascida, mas não será nada fácil. Um longo caminho pela frente, tais as marcas que foram infligidas a estas gentes de coração enlutado,  sem forças, numa luta inglória
(imagens pesquisadas no Google) 

                                                                                                                                          Célia Gil


Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

11 comentários:

  1. Puxa, Célia!

    Imagino o teu luto, pois para nós daqui tão distantes acompanhando tudo aqui lo foi muito dolorido! Uma tristeza, o mundo parece que está precisando de uma melhorada nas mentes ,atitudes ,tudo mais. Tristeza é o que podemos sentir.

    bjs solidários com tua dor! chica( obrigadão pelos carinhos todos)

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  2. Minha querida amiga.
    È com infinita tristeza que li sua postagem nesse final de tarde aqui no Brasil.
    Eu não sabia que a serra da estrela também tivesse a pior sorte também.
    Digo sobre a serra das estrelas porque meu padrinho ama essa serra
    e comenta sempre da beleza dessa serra que ele tanto ama.
    Hoje vejo que minha união com Portugal é algo magico.
    Aqui esta chovendo cerca de 3 dias e bastante frio também,
    embora ñ pode se comparar o o inverno de Portugal.
    Deus abençoe sua semana.
    E conforte vossos corações com a paz que tanto precisa par continuar vida e seguir em frente.
    Beijos..Evanir.

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    1. A chuva fazia cá tanta falta agora! Obrigada Evanir pelas suas palavras. Beijos

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  3. Olá, Célia!

    Encontrei um comentário seu no blogue da Evanir, e pela redação do mesmo, depreendi que seria portuguesa. Evidente, que a curiosidade assolou-me e cá estou eu no seu agradável espaço, onde a temática é variadíssima, muito natural e interessante, embora a publicação de hoje, seja uma triste realidade.

    Qdo estamos fora e sentimos que algo não está bem no nosso país, e mais ainda na nossa terra, dá-nos vontade de voar e as férias não têm o sabor completo.

    Não entendo esta loucura, esta desgraça dos incêndios, uns atrás dos outros, em locais diferentes, mas nada desata a arder, sem que haja uma causa, um rastilho, um tarado criminoso, interesses de variada ordem, e isso eu condeno, completamente, e aqui aplicar-se-ia, muito bem, a meu ver, o provérbio, "olho por olho, dente por dente". O tempo da Inquisição já passou, felizmente, mas que façam "fogueiras", em público, preferencialmente (parece que estou a falar e a pensar como na Idade Medieval), e que atirem para lá os incendiários, para saberem como é "bom" morrer no quentinho e nas chamas.

    Evidente que as perdas humanas são as que mais tememos e choramos, mas ver natureza, animais, património em cinzas, custa imenso. As fotos, que publicou, mostram mto bem o antes e o depois dos acontecimentos. Tão triste!

    Beijos e boa semana.

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    1. Como concordo com a Céu! Estamos cansados deste pesadelo onde os culpados ficam impunes. Obrigada pela visita ao meu cantinho. Bjs e boa semana

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  4. Oi Célia,
    Dói ver este incêndio em Portugal! Estou lendo o livro Sapiens e, cada vez mais, intencionalmente ou não, tomo consciência da destruição provocada pelo homem no planeta!
    Bjs

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    1. É verdade Betty, infelizmente o Homem é o principal responsável pela destruição de tudo. Beijos

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  5. Olá, querida Célia!
    Que tristeza no País que amo tanto! Acompanhando com pesar tudo isso e não é o primeiro ano...
    Deus se apiede da tragédia dolorosa e a natureza dê uma trégua.
    Seja feliz e abençoada!
    Bjm de paz e bem

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  6. Lindas imagens. Um show que a natureza nos oferece graciosamente. Triste as queimadas. Quem dera q não fosse assim. Bjs querida

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