terça-feira, 10 de julho de 2018

As Velas Ardem até ao Fim, Sándor Márai

Célia Gil

Márai, Sándor. As Velas Ardem até ao Fim. Lisboa: Dom Quixote. 2001.


     Uma obra traduzida por Mária Magdolna Demeter, As Velas Ardem até ao Fim de Sándor Márai, lê-se num ápice.  Além de pequeno, prende o leitor, que quer saber a história de dois amigos, Konrád e Henrik, que se reencontram na velhice.
     Henrik, um velho general que vive num castelo recôndito e decadente, na Hungria, aguarda ansiosamente o regresso do amigo de longa data e recorda os tempos passados, a sua família, a forma como acolheram Konrád, até à sua partida inesperada para os trópicos. Espera ver esclarecidas algumas dúvidas que não o deixarão descansar em paz, dúvidas que apresenta com laivos de uma vingança decorrente de traição. O seu melhor amigo não o tinha apenas traído com a esposa, tinha, sobretudo, traído a sua amizade, a cumplicidade as vivências que tiveram, de quem cresceu e formou a sua personalidade em conjunto, de quem foi dependente, de quem amou profundamente. Precisava compreender por que razão Konrád o quisera matar, durante uma caçada, e por que não o fizera.
     O momento do reencontro, 41 anos depois, descrito como: “Era o momento em que a noite se separa do dia, o mundo de baixo do mundo de cima. (…) É o último segundo em que a profundidade e a altura, a luz e a escuridão, tanto universal como humana, ainda se tocam (…)”, foi um momento marcado por longos silêncios, pelo monólogo de Henrik, a que Konrád responde no seu silêncio, por recordações dolorosas, pela reflexão sobre o valor da amizade, os segredos, a solidão decorrente do afastamento, a desilusão ante a “fuga” inesperada e a noção da inutilidade do ciúme, da vingança e dos remorsos. Uma longa conversa, em que “As Velas Ardem até ao Fim”. Um livro de Sándor Márai que não pode deixar de ler. 
                                                                                              Célia Gil
                                                                                                                                              

Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

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