Walker, Alice. A Cor Púrpura. Lisboa: Suma da Letras, 2023.
Tradução: Tânia Ganho
N.º de páginas: 344
Início da leitura: 17/02/2026
Fim da leitura: 18/02/2026
**SINOPSE**
"Clássico da literatura americana, aclamado pela crítica e amado por sucessivas gerações de leitores. Tão relevante quanto no ano da sua publicação, é agora relançado com nova capa.
Celie, de 14 anos, escreve cartas a Deus para tentar compreender o que lhe está a acontecer. Órfã de mãe, abusada pelo homem a quem chama pai, separada da irmã, Netie, privada dos dois filhos e oferecida em casamento a um homem que a maltrata, considera-se uma negra, pobre e feia. Até que conhece Sugar, a amante do marido. Com a ajuda de Sugar, a mulher mais linda que ela viu na vida, Celie descobre não só o paradeiro da irmã desaparecida mas também o próprio corpo, o prazer, o amor e, acima de tudo, a sua voz.
Romance epistolar composto pelas cartas que Celie endereça a Deus com uma honestidade brutal e pelos relatos de viagem que Nettie lhe envia de uma missão em África, A Cor Púrpura aborda temas como a violência brutal a que estavam sujeitas as mulheres negras no início do século XX, a relação dos negros com o seu passado de escravatura, e a busca do espiritual num mundo cruel e sem sentido.
Galardoado com o prémio Pulitzer e com o National Book Award para o melhor livro de ficção, foi adaptado ao cinema em 1985 por Steven Spielberg e nomeado para 11 Óscares."
A Cor Púrpura, de Alice Walker, é uma obra de profundo impacto emocional e ético, cuja força narrativa permanece intacta ao longo do tempo, independentemente das adaptações cinematográficas que dela tenham sido feitas. A leitura do romance revela-se, aliás, essencial para compreender plenamente a densidade humana, social e psicológica da história.
Narrado sob a forma de cartas, o livro acompanha o percurso de Celie, uma mulher negra no sul dos Estados Unidos do início do século XX, marcada desde cedo pela violência, pelo racismo e por uma opressão sistemática que parece não lhe deixar espaço para a esperança. É precisamente neste contexto de sofrimento extremo que Alice Walker constrói um retrato poderoso da resistência silenciosa e da lenta, mas firme, capacidade de superação das agruras da vida.
O impacto que A Cor Púrpura provoca no leitor nasce da forma crua e honesta como são expostos o ódio, a discriminação racial, o sexismo e a violência doméstica, sem nunca resvalar para o sensacionalismo. A autora opta por uma linguagem simples, quase desarmante, que reforça a autenticidade da voz narrativa e torna ainda mais perturbadora a dureza das experiências vividas pelas personagens. Esta aparente simplicidade estilística contrasta com a complexidade emocional do texto, deixando as emoções constantemente à flor da pele.
Ao longo da narrativa, a dor dá progressivamente lugar à descoberta da identidade, da solidariedade feminina e da possibilidade de redenção. A transformação das personagens, em particular de Celie, é conduzida com notável sensibilidade, mostrando que a dignidade humana pode emergir mesmo nos contextos mais adversos. O leitor é conduzido por um misto de sentimentos difíceis de definir, revolta, tristeza, compaixão, esperança, que permanecem muito depois da última página.


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