As Cinco Irmãs, Cínzia Georgio

Giogio, Cínzia (2022). As Cinco Irmãs. Lisboa: Editorial Presença.


Tradução: Filipe Guerra
N.º de páginas da obra: 
Início da leitura: 04/02/2026
Fim da leitura: 06/02/2026

**SINOPSE**
«A história de uma das famílias mais influentes da alta-costura e de uma marca que simboliza, até hoje, a elegância italiana no mundo.
Um romance sobre família, feminilidade e amizade que revive o extraordinário legado de uma poderosa dinastia feminina.

Imaginemos uma pequena o­ficina de couros e peles na Roma de 1918, gerida por uma mulher. Adele Casagrande é determinada, visionária, destemida. a força e a paixão desta mulher vão aliar-se, em 1925, à inspiração e à vontade de Edoardo: juntos, abrem uma pequena boutique, ao lado da o­ficina de Adele. Rapidamente, o atelier torna-se um sucesso dentro e fora de Itália e é inundado por mais e mais mulheres da alta sociedade. Maddalena Splendori é uma delas.

De raízes humildes, Maddalena começou por ser modelo do pintor inglês John William Godward. Com ele, viveu uma turbulenta história de amor, antes de se casar com aquele que, em breve, será ministro. Assim que se veem pela primeira vez, Adele e Maddalena reconhecem uma na outra o espelho de si próprias: ambas são inconformistas, boémias, apaixonadas. Entre elas, nasce uma amizade tão profunda, que vai passar para as mulheres das gerações futuras.

Ao longo das décadas que se seguem, as descendentes de Maddalena trabalham como modelos para a maison, enquanto a visão de Adele passa para as suas cinco filhas: Paola, Anna, Carla, Franca e Alda. São estas mulheres, depois de braço dado com Karl Lagerfeld, que farão da marca um ícone do luxo internacional.

Abrangendo noventa anos agitados na vida desta família, Cinco Irmãs faz-nos entrar nas salas e nos ateliers da maison, enquanto vemos des­filar o século XX e acompanhamos uma inigualável saga familiar.»

As Cinco Irmãs, de Cínzia Georgio, propõe-se como um romance de forte pendor intimista, centrado nas dinâmicas familiares e na forma como a memória, o silêncio e a herança emocional moldam identidades. A narrativa constrói-se a partir do vínculo entre cinco irmãs, explorando as tensões que nascem tanto da proximidade afectiva como das diferenças de carácter, de escolhas de vida e de expectativas não cumpridas. O livro destaca-se pela atenção ao detalhe psicológico e pela recusa de soluções fáceis, optando antes por um retrato gradual e, por vezes, desconfortável das relações humanas.
Um dos méritos centrais da obra reside na forma como a autora trabalha a multiplicidade de vozes e perspectivas. Cada irmã surge como um universo próprio, com fragilidades e contradições bem delineadas, evitando estereótipos ou hierarquias morais evidentes. Esta opção narrativa contribui para uma leitura equilibrada, em que o leitor é convidado a compreender, mais do que a julgar, os comportamentos das personagens. A escrita é contida e sensível, privilegiando a sugestão em detrimento do dramatismo excessivo, o que reforça a densidade emocional do texto.
Ao mesmo tempo, o romance pode revelar-se exigente para quem procure uma intriga acelerada ou acontecimentos marcadamente espectaculares. O ritmo é deliberadamente pausado, acompanhando o movimento interior das personagens e dando espaço à reflexão sobre temas como a lealdade familiar, o peso do passado e a dificuldade de comunicação. Esta escolha estilística, embora coerente com o projecto literário da obra, pressupõe um leitor disponível para uma leitura atenta e contemplativa.

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