Arouca, Manuel (2002). Filhos da Costa do Sol. Alfragide: Oficina do Livro.
N.º de páginas: 368 páginas
Início da leitura: 08/02/2026
Fim da leitura: 10/02/2026
Início da leitura: 08/02/2026
Fim da leitura: 10/02/2026
**SINOPSE**
"Filhos da Costa do Sol é uma história de amor e morte, passada nos dias agitados da revolução de Abril.
Fala-nos da vida despreocupada e doce da Costa do Estoril, mas também da recusa de uma sociedade fechada e dos seus preconceitos. Filhos da Costa do Sol é o retrato impiedoso de uma geração inquieta mas cheia de romantismo e ideais. Será que tudo se perdeu?"
Filhos do Sol, de Manuel Arouca, dá-nos a conhecer um conjunto de temas marcantes do período pós-25 de Abril, nomeadamente a dissolução das estruturas familiares tradicionais, a vivência da sexualidade, o consumo de drogas, a emancipação da mulher e a afirmação de novos valores políticos. Trata-se de uma história onde o amor e a morte se cruzam, situada numa época difícil, protagonizada por jovens confrontados com inquietações que continuam, em muitos aspetos, a ser atuais. O romance traça, simultaneamente, um retrato da vida aparentemente despreocupada e luminosa da Costa do Estoril e uma crítica clara a uma sociedade fechada, conservadora e marcada por preconceitos.
Apreciei particularmente a forma como a narrativa é conduzida. Na minha opinião, o autor consegue transmitir com eficácia o modo de vida de alguns jovens durante o período revolucionário, recorrendo a descrições que permitem ao leitor visualizar os espaços e ambientes, mesmo sem os conhecer diretamente. Contudo, nem tudo me agradou na obra. Considero que, em certos momentos, a linguagem utilizada não é a mais adequada ao tom da história. Um exemplo disso é o uso da palavra “beiços” para descrever um beijo romântico, opção que me pareceu pouco cuidada e dissonante, quando “lábios” teria conferido maior delicadeza e coerência ao momento.
Filhos do Sol é, assim, o retrato de uma geração inquieta, mas simultaneamente marcada pelo romantismo e por ideais fortes. Xico, o protagonista, começa por fazer, no início da sua relação com Marta, uma promessa que acaba por não cumprir, tornando-se, ao longo da narrativa, um verdadeiro “vencido da vida”: mimado, incapaz de manter um emprego e de assumir responsabilidades. Quanto ao desfecho… esse fica reservado ao leitor.
25 de Abril de 1974
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