A Cria de Cuco, Søren Sveistrup

Sveistrup, Søren (2026). A Cria de Cuco. Lisboa: Penguin.

Tradução: José Remelhe
N.º de páginas: 528
Início da leitura: 18/07/2026
Fim da leitura: 23/07/2026

**SINOPSE WOOK**
"Num frio e chuvoso Dia de São Valentim, uma mulher regressa a casa inquieta e apressada; há algum tempo que recebe mensagens de texto anónimas, e tem andado atenta a qualquer movimento à sua volta. Assim que chega a casa, coloca um novo cartão no telemóvel e avisa a filha do novo número. Por um momento, sente-se segura, até receber a notificação de uma nova mensagem, o que significa não só que não conseguiu escapar ao seu perseguidor, como também que ele está muito perto. Pouco depois, a mulher desaparece.

A investigação fica a cargo de Naia Thulin e Mark Hess. Este será o primeiro de vários casos que seguem um padrão muito semelhante, e Thulin e Hess não tardam a estabelecer a relação com o homicídio por resolver de uma estudante de dezanove anos e com um outro caso arquivado há mais de trinta anos, quando uma divertida excursão escolar se transformou num pesadelo em que uma criança foi morta e desmembrada, assim como uma cria de cuco. Todos os casos envolvem um perverso jogo de escondidas, acompanhado de uma lengalenga assustadora. Conseguirão Thulin e Hess encontrar quem está por trás deste jogo em que o prémio para quem é encontrado é nunca mais ser visto?"

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Depois do impacto que O Homem das Castanhas me causou, era inevitável iniciar a leitura de A Cria de Cuco com expetativas elevadas. Søren Sveistrup volta a demonstrar a sua capacidade para construir uma narrativa policial sólida, mas desta vez o resultado acaba por ser menos envolvente e menos memorável.
Ao contrário do romance anterior, que cativava desde as primeiras páginas pelo seu ritmo intenso e pelas imagens quase cinematográficas que evocava, A Cria de Cuco opta por uma progressão mais pausada. A investigação desenrola-se de forma meticulosa, exigindo uma atenção constante do leitor, sobretudo devido ao elevado número de personagens e às múltiplas ligações entre elas. Essa complexidade enriquece a construção do enredo, mas também torna a leitura menos fluida, especialmente na primeira metade do livro.
Sveistrup mantém a sua habitual atenção ao detalhe e a capacidade de criar um ambiente sombrio e inquietante, características que continuam a distinguir a sua escrita. No entanto, a tensão demora mais tempo a consolidar-se e os momentos de maior intensidade surgem de forma mais espaçada, o que faz com que o impacto global seja inferior ao da sua obra de estreia.
Ainda assim, trata-se de um thriller competente, bem estruturado e com uma resolução coerente, capaz de manter o interesse de quem aprecia investigações policiais de desenvolvimento gradual. Não é um livro que impressione pelo espetáculo ou pela ação constante, mas antes pela forma paciente como vai encaixando as diferentes peças do puzzle.
Talvez o maior obstáculo seja, precisamente, a inevitável comparação com O Homem das Castanhas. Esse romance estabeleceu um padrão muito elevado, quer pela tensão narrativa, quer pela força visual das suas cenas, e A Cria de Cuco dificilmente consegue atingir o mesmo nível de intensidade. Lido de forma isolada, continua a ser uma proposta interessante dentro do género; lido à sombra do seu antecessor, acaba por deixar a sensação de que lhe falta aquele elemento diferenciador que transforma um bom policial num livro verdadeiramente marcante.

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