A Mais Bela Maldição, Rui Couceiro

Couceiro, Rui (2026). A Mais Bela Maldição. Porto: Porto Editora.

N.º de páginas: 208
Início da leitura: 13/07/2026
Fim da leitura: 15/07/2026

**SINOPSE WOOK**

"O que podem ter em comum uma baronesa quase centenária da Toscana, um antigo pescador da Póvoa de Varzim, um ex-ministro brasileiro, um gasolineiro dos Açores, um socioeconomista francês a viver em São Tomé, um condutor de camiões do lixo de Bogotá, uma poetisa italiana, um alfarrabista de Rabat, um antigo recluso nova-iorquino e um padre alemão? Uma profunda e incontrariável ligação aos livros, que os levou a dedicarem-lhes toda ou boa parte das suas vidas. São eles e o seu amor por um objeto milenar os protagonistas do novo livro de Rui Couceiro.

Depois de publicar os romances Baiôa sem Data para Morrer e Morro da Pena Ventosa, o autor viajou pelo mundo para conhecer e contar histórias que apaixonarão todos os que, como ele e os protagonistas de A Mais Bela Maldição, adoram os livros e a leitura.


«Uma maravilhosa coleção de histórias literárias. Uma tapeçaria de vidas enfeitiçadas pelas letras. Um colar de histórias escritas lampejo a lampejo. Relatos biográficos que nos convidam a sentirmo-nos, ao mesmo tempo, leitores e protagonistas de sigilosas peripécias humanas em torno da leitura. Uma viagem a esses enigmas e mistérios também chamados bibliotecas pessoais. Com subtileza, inteligência e uma delicada musicalidade verbal, Rui Couceiro traça, de fisionomia em fisionomia, o retrato de todos nós, amantes incorrigíveis dos livros.»

Irene Vallejo"

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Há livros que nos lembram que ler é muito mais do que um hábito ou um passatempo: é uma forma de compreender o mundo, de nos aproximarmos dos outros e, muitas vezes, de nos encontrarmos a nós próprios. A Mais Bela Maldição, de Rui Couceiro, é um desses livros. Mais do que uma viagem por lugares ligados aos livros, é um percurso por vidas moldadas pela leitura e pela paixão silenciosa que ela desperta.
Foi um enorme prazer cruzar-me com personagens reais tão singulares, pessoas que, em diferentes momentos das suas vidas, foram conquistadas pelos livros e fizeram deles um modo de estar no mundo. São homens e mulheres de origens distintas, unidos por uma dedicação que transcende fronteiras, culturas e circunstâncias. As suas histórias revelam que o amor pelos livros pode assumir inúmeras formas, mas tem sempre a capacidade de transformar quem o vive.
Entre essas figuras, foi particularmente gratificante reencontrar Alba Donati, cuja voz já me tinha encantado em A Livraria na Colina. Voltar a encontrá-la nestas páginas foi como rever uma velha conhecida, integrada agora num conjunto de histórias igualmente marcantes, que se complementam e enriquecem mutuamente.
Rui Couceiro confirma, uma vez mais, o talento que possui para contar histórias. A sua escrita é elegante, envolvente e profundamente humana. Conduz o leitor com naturalidade entre geografias, bibliotecas, livrarias e encontros improváveis, sem nunca perder de vista aquilo que verdadeiramente importa: as pessoas e a forma como os livros se entrelaçam com as suas vidas.
Logo nas primeiras páginas, o autor partilha uma recordação dos avós que encerra uma ideia particularmente feliz. Ao recordar que a avó compreendia que «apesar da leitura ser um ato solitário, a leitura é, em simultâneo, uma magnífica forma de combater a solidão», sintetiza uma verdade que muitos leitores reconhecerão de imediato. Poucas atividades são tão íntimas e, ao mesmo tempo, tão capazes de criar ligações invisíveis entre pessoas que nunca se conhecerão.
Ao longo da leitura, sentimos que cada encontro acrescenta uma nova perspetiva sobre o poder dos livros: preservar memórias, alimentar a esperança, desafiar a ignorância ou simplesmente oferecer um lugar de refúgio. Rui Couceiro constrói um mosaico de histórias autênticas que convidam à reflexão e despertam uma vontade irresistível de conhecer os espaços e as pessoas que lhes deram origem.
Termino com uma passagem que resume de forma admirável o espírito desta obra. Numa conversa entre o autor e Aziz, o livreiro da medina de Rabat, este estabelece um paralelo entre a pesca e a leitura: ambas permitem esquecer o mundo. Quando o escritor lhe pergunta o que há para esquecer, Aziz responde com desarmante simplicidade: «A miséria e a ignorância.» Recomendo muito!

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