Histórias Soltas Presas Dentro de Mim



             (imagem do google)

O medo, a insegurança e o erro
são constantes na nossa vida,
pairam qual sombras do desterro,
deixam a alma desprotegida.

Sempre que a coragem dobra
a esquina da nossa existência,
surge o medo, que cobra
ou sugere a desistência.

Quando tomamos decisões
que nos pedem permanência
a insegurança dos corações
abala a nossa consciência.

Se pensamos que acertámos
em todas as escolhas feitas,
há sempre o erro que ignorámos
nas ilusões mais perfeitas.

Não deixes de acreditar,
sacode o erro, o medo e a insegurança.
Se caíres, faz por te levantar
qual Sísifo em eterna esperança.
                             Célia Gil

 
                          (imagem do google)


Fugi à intempérie da vida
aninhada em palavras de amor
que aqueceram a despedida
tornando mais leve a dor.
Palavras eu gritei
a pleno pulmão de uma folha de papel,
palavras que sussurrei
em literartura de cordel.
Expulsei-as da garganta,
não deixei que sufocassem,
aqueci-as com a esperança
e permiti que se libertassem.
Palavras loucas de dor
palavras sanas, insanas,
palavras amorosas de desamor,
palavras profundamente levianas.
Cuspi-as, esculpi-as  na folha em branco,
ainda quentes das lágrimas derramadas,
palavras de ternura e de pranto,
palavras roucas, inflamadas.
Palavras que me aninharão
até adormecer com a eternidade.
Palavras que ficarão
no recanto da saudade.
                                    Célia Gil


                     (imagem do google)
     Mote
Alegres manhãs
nas quais o sol brilha
manhãs que alimentam
nossa fantasia

    Voltas
Manhã, que me espreita
p'la janela aberta,
e assim me desperta,
assim me deleita.
Assim me sujeita
com o seu perfume
quando o quarto envolve
em doce queixume.

Sol, que me inebria
com seus raios cálidos,
ainda que pálidos,
são pura magia.
Pura fantasia
que sempre enternece,
a luz dos meus olhos
de tudo se esquece.
                   Célia Gil






                  (imagem do google)

O perfume das flores
entra-me pela janela dentro
sem pedir, vai ficando,
mistura-se com os cheiros da casa
tanto que sinto, quando desaparecem,
um vazio que nada preenche.
O meu olfato seletivo
fica ali quieto
à espera de receber o perfume
de uma flor que já murchou.
Do meu coração cai uma lágrima
ao contrair os olhos tristes.
Queria que a natureza fosse perene,
que o perfume das flores invadisse
para sempre o meu leito,
que as cores das flores
me inebriassem o olhar
em matizados de alegria.
Que os pássaros que pousam
no peitoril das janelas de casa
não deixassem de aparecer
para me congratular
por uma nova manhã.
Que todas esta fonte de inspiração
me pegasse na mão
para continuar a escrever
por tudo e por nada...
                               Célia Gil
(imagem do google)

Fecho as pálpebras ao mundo,
mas não as fecho aos sonhos.
Invadem-me histórias sem fundo,
extraordinárias, impressionantes.
Sinto-me uma pluma invisível
correndo de um lado para o outro
a uma velocidade incrível.
Reencontros, pesadelos, alegrias,
autênticos argumentos de filme
verdadeiros ou fantasias?
Decompomos a realidade
em ínfimos fragmentos
que juntamos com leviandade,
pedaços de vários momentos.
                                  Célia Gil
Hoje o sol brilha lá fora, apesar de um ventinho aborrecido. As árvores já têm flor e espreitam frutos envergonhados.
O limoeiro já tem flor e novos rebentos

 A macieira de bravo esmolfe com flor, o pessegueiro com uns frutos tímidos e a pereira de folhas ao vento.



A macieira e as mini cerejeiras em flor.

E, por falar em flor, as minhas flores estão bem bonitas:








 Enchem de cor os meus dias!

Agora, o novo membro da família, o Teco, um porquinho da índia amoroso:

Para terminar, deixo a receita de um bolo que fiz, super fácil e ótimo:


4 ovos
1 chávena de óleo
2 iogurtes naturais
1 copo de sumo de laranja natural
1 chávena e meia de farinha de trigo
1 colher de fermento
1 colher de essência de baunilha
1 chávena e meia de açúcar


Depois de juntar os ingredientes líquidos, adicionar os ovos um a um. Juntar os elementos sólidos.
Depois de ir ao forno, cerca de 50 minutos a 180 graus, fazer um glacé com duas claras e 250 gramas de açúcar em pó e barrar. Bom apetite!







(imagem do google)

Se na vida eu bebesse
sonhos como quem bebe água
talvez em todos houvesse
mais júbilo, menos mágoa.

Se o sol, raiando inseguro,
me desse um porto de abrigo,
o mundo diria ao escuro
"eu quero, eu posso, eu consigo!"

Se eu porventura alcançasse
tudo o que quero na vida
talvez nada mais restasse...
Dar-me-ia por vencida.
                                  Célia Gil





(imagem do google)

Vejo-te na extensão verde de um sofá
tricotando memórias de renda.
O teu ar sereno conta-me histórias
que eu bebo na minha sede de ti.

A minha mente, poderosa de imaginação,
transforma o sofá num campo verde
onde os cheiros concorrem
para o pódio da sedução.

E tu, impávida, de sorriso nos lábios,
enlaças a linha em rosas perfumadas
que estendes em tapetes de histórias
para que eu receba todas as personagens
diretamente no meu peito
e fiquem perpetuadas na memória.
                                                 Célia Gil

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(imagem do google)

Em cada dia que passa sentimos necessidade de ir reaprendendo a viver, de encontrar novos objetivos, novas razões para existir ainda que seja ténue linha do nosso horizonte. Nem sempre é fácil, quando a alma chora, quando os lábios se cerram contrafeitos na ausência de um sorriso. É preciso então um grande esforço para recuperar e encontrar sentidos para a vida. Não é que não haja, há-os em tudo o que nos rodeia. É preciso é voltar a olhar para as coisas com olhos de poesia...
                                                                                                                                        Célia Gil
Hoje deixo novamente este meu poema. Estou a passar por um momento muito difícil e só me ocorre esta perda do sorriso. Tenho uma colega e amiga da escola internada e muito mal, devido a uma gripe. Uma bactéria alojou-se no cérebro e já teve três paragens cardíacas e várias tromboses cerebrais. Estão só à espera de doar os órgãos para desligar as máquinas. Tem 44 anos e tinha uma saúde de ferro. É muito difícil aceitar e digerir tudo isto!

À noite, acabou por falecer. Dia 23 foi o funeral. Deixou um filho de 13 anos. Até sempre amiga! Nunca serás esquecida! Ficarás para sempre nos nossos corações!
                                                                                                                      Célia Gil

(imagem do google)

Cai a noite,
que me toma nos braços 
a aquecer abraços.

sou ainda a criança com sonhos de oiro,
a preparar o puzzle da vida
em brincadeiras inocentes
com restos de sonhos recortados.

e, quando acordo,
continuo imóvel
à espera que as estrelas 
permaneçam no meu céu.
                           Célia Gil





A solidão envolve-nos nos braços,
mas não aquece a nossa alma.
Os seus dedos frios
traçam percursos de escuridão
numa pele cansada de existir;
estrangulam-nos a garganta
até suplicarmos por uma réstia de ar.
O seu bafo gélido
arrefece o amor,
congelado no tempo.
Impulsiona a saudade
a brilhar em plumas de fulgor,
até estontear o que resta de nós.
                                 Célia Gil
Resultado de imagem para naufrágio barco de papel
(imagem do google)

Não sei se o que sou persistirá
para além dos tempos na memória.
Ou se o meu barco naufragará,
abandonando simplesmente a história.

Não quero ser carvão que se apaga,
não quero ser a cinza que se desvanece,
não quero ser barco que naufraga
ou protagonizar um livro que se esquece.

Quero deixar marcados a tinta permanente
os sentimentos que o meu peito abraça.
Ficar, de alguma forma, para sempre
nos sonhos que a minha escrita traça.
                                              Célia Gil




(imagem do google)

Fantasmas existenciais perpassam-me
pelos olhos cansados de doer.
Fantasmas que vêm, vão, passam,
invadindo o meu anoitecer.

Fecho os olhos e ignoro a realidade.
Mas ela, dura e cruel, não me abandona.
Neste viver de insanidade,
ela é a minha padroeira, a minha dona.

quero adormecer todo o meu cansaço
e acordar numa outra dimensão.
Quero ignorar os fantasmas que abraço
para reaprender a viver na ilusão.
                                             Célia Gil

(imagem do google)

Não sei em que becos te escondes,
que não te encontro quando de ti preciso.
Não te ouço se me respondes
e procuro desesperadamente o teu abrigo.
Ah, pudesse eu repousar no teu ombro amigo!
Mas a minha vida é um verdadeiro vendaval,
fustigada pelos ventos da contrariedade
que desconhecem a minha vontade,
apenas forças enfraquecidas pelo temporal.
Ah, pudesse eu ficar a sós contigo!
Mas nem tudo segue o rumo certo,
nem todos os fins são os idealizados.
A minha história tem um final aberto
onde não se escrevem rumos sonhados.

Procuro-te na penumbra do meu leito,
mas a mente, veloz contra a maré,
vem apenas questionar a minha fé,
retalhando-me o sonho desfeito.

Luto contra os vendavais interiores,
monstros criados pelo meu medo,
sempre a sós, como que em segredo,
sem conseguir vencer os meus temores.

Ah, pudesse eu encontrar-te, Paz,
e em ti repousar o meu cansaço!
                                          Célia Gil





                            
Este ano


Quero um barco no mar
para com ele navegar
ao interior das minhas ilusões
entre sonhos e divagações.

Quero perder-me nesse mar sem fim
para me reencontrar em mim,
acreditar que a salvação
cabe na palma da minha mão.

Quero uma tempestade de amor
com uma pitada de paz interior.
Amor paixão, amor fraternal, amor amizade,
amor compreensão, amor saudade.

Quero semear um campo de boas ações,
nem que seja apenas nas minhas ilusões,
transformar campos de ervas daninhas
em futuros cidadãos
para que cresçam mentalmente sãos.

E o pouco que quero é tanto
que ergo ao céu o meu canto
suplicando que tudo o que o meu eu pretende
seja partilhado por toda a gente.
                                              Célia Gil


(imagem do google)

           Este ano estamos a viver um Natal diferente. Sem subsídio de Natal, olhamos para os presentes que gostaríamos de comprar com alguma angústia, pois não há poder de compra. Sem poder de compra, os comerciantes veem os produtos por vender e por aí adiante. A crise é este ciclo vicioso que tem o poder de tirar o encantamento a este momento que fez sempre parte dos nossos sonhos de infância.
Sinto então necessidade de procurar a chave do Natal em casa das minhas avós, em Silvares. São seis da tarde. Vejo-me ainda menina em casa da minha avó materna, a comer filhoses acabadas de fritar. São quentes e gosto delas quase em massa. Daqui a pouco, começa a preparar-se o jantar. Eu estou feliz. Pedi ao Pai Natal livros de banda desenhada da Disney. Com certeza, trar-me-á dois ou três e isso é fantástico. Após o jantar, ouvimos um som no sótão. Corro à varanda e ainda vejo na minha ingénua imaginação, o Pai Natal sair no seu trenó. Corro às escadas do sótão e lá estão dois livros, do Patinhas e do Pateta. Fico felicíssima e sinto vontade de os começar logo a ler. Mas é hora de ir para casa da minha avó paterna.
Em casa da minha avó, estão os meus tios e primos. A mesa está posta para a ceia com tudo de bom, a minha avó foi sempre uma excelente cozinheira. Brinco com os meus primos até à hora de o Pai Natal chegar aqui, depois de percorrer as restantes casas da aldeia. Os meus tios, pais e avó conversam alegremente e há amor e alegria no ar. Cheira a sonhos de uma família feliz.
Chamam-nos para a mesa. Comemos por lambarice e não já por fome, mas o convívio é bom e os doces convidam-nos o apetite. O tio e o pai contam histórias do seu dia-a-dia e é tão bom sentir esta paz familiar que nos acalenta a alma e nos dá força para mais um ano de trabalho. Estes os momentos que valem a pena.
Colocámos os sapatinhos na salinha de estar e nós, crianças, nem nos apercebemos que as mães saíram da sala onde nos encontramos a cear. Não nos apercebemos também que o meu pai já ali não está. Ouvimos uma gargalhada. O Pai Natal acabara de sair. Ainda o vemos. É então que o meu primo mais novo diz “O Pai Natal tem os sapatos iguais aos do tio Fernando!” Rimo-nos todos ante esta astúcia de 2/3 anos. Mas depressa esquecemos o incidente e corremos para a salinha, onde cada sapatinho tem um ou dois presentes, não mais. E lá estão mais dois livros de banda desenhada. Sinto-me a menina mais sortuda do mundo.
Por isso mesmo, entristece-me ver as crianças reagirem sem qualquer entusiasmo perante uma série de presentes de Natal. A crise domina-nos a todos os níveis. Não apenas a nível económico, parece que até o valor dado às coisas está em crise.
Por isso, Pai Natal da minha memória, traz-nos o entusiasmo, a força de vontade e a alegria que o tempo ousou roubar! Faz-nos recuperar a essência do Natal!
                                                                                                   Célia Gil



                                 (imagem do google)

           

11 de Setembro, de 2000

Há quanto tempo tenho adiado estas conversas inevitáveis e que fazem transbordar da minha alma todo o anseio, a saudade, a deceção?!...


Pai, agora, na solidão que me envolve, tu, meu querido, ouvir-me-ás, onde quer que estejas, para além da tua ausência, onde possivelmente ainda velas por mim.


Não fui certamente a filha ideal, a mulher ideal, porque o ideal, talvez não o saibas ou não o queiras saber, é uma perfeição suprema, fruto de uma imaginação, para a qual se canalizam todas as frustrações pessoais. Não há perfeições supremas. Há virtudes e há erros, tal como há sol e seca, chuva e dilúvio. E, se em mim houve tantas vezes sol, outras tantas houve uma estiagem tão estéril que me deixou inativa e perdida. E, se em mim, tantas vezes, os ideais meus ou teus foram regados e fortalecidos pela chuva da vontade, outras tantas se tornaram temporais avassaladores, capazes de arrasar qualquer sonho.


Hoje, nesta pequena quinta do interior, olho tantas e repetidas vezes esta paisagem que foi nossa, que me esmago na solidão do meu ser cansado, para me reencontrar naquilo que fui, naquilo que tive e que faz parte de um passado que transporto até hoje e para sempre.


O dia termina. Estou cansada da noite. O meu desabafo embala-me e o sono espreita pelas janelas deste humilde quarto em que me encontro a conversar contigo.


(excerto inicial)
                                                               Célia Gil
           

                 Hoje transpus-me para casa da minha madrinha, em África. A chave da memória não me permite ver o exterior, só o interior. Abro lentamente e vejo, à minha esquerda, a porta da cozinha aberta. Vejo-me a abrir o frigorífico para tirar um pouco de coco. Está fresco e sabe-me bem. Tenho um ar feliz. Vejo ainda chegar uma criada negra, muito bonita, mas não são as feições do seu rosto que vejo, são as unhas numas belas mãos esguias, unhas longas bonitas e pintadas. Eu e os meus primos escolhemos, cada qual, a sua unha e ela é tão nossa, tão meiga, que ter uma unha sua é um privilégio que nos enche a alma pequenina.
                Subo as escadas a correr e entro no quarto dos meus primos. Eles lêem banda desenhada e eu observo-os. Sempre me deu prazer observar as pessoas, estudar os sentimentos que transmitem em cada gesto, em cada relance de olhar, em cada palavra. Estou feliz! Tenho uns primos inteligentes! Eu sei que terão sucesso no futuro, porque o brilho dos seus olhos mo confessa, porque têm interesses, uma infância preenchida e uns pais que os adoram e farão tudo por eles. Sou, muitas vezes, a prima chata, mais nova, que têm de suportar por umas escassas horas. Mas sou feliz porque os tenho para os chatear, para os questionar ou apenas…para os observar.
                Fecho a porta e regresso, ultrapassando o espaço onde estou para estar com eles. O meu pensamento pousa-lhes uma mão no ombro para lhes dizer que tenho saudades destes tempos de infância, em que a nossa felicidade estava em coisas tão pequenas como na escolha das unhas de uma negra bonita. É incrível como pequenos pormenores nos marcam para sempre.
                                                                                                                            Célia Gil

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Sobre mim

Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.

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