As lajes
da minha rua
têm histórias
para contar,
têm sons
na pedra nua
de quem
as costuma pisar.
Têm o
som dos saltos
da
rapariga de saia travada
que vai
ver o amado
do outro
lado da estrada.
Têm o
som das sabrinas
das
meninas rabinas
que
calcorreiam a rua
à
procura de aventura.
Têm o
som de botifarras
de quem
marcha para a jorna
sem
pressa, quase na sorna.
Tem o
som das pantufas
da vizinha
do 31
que, com
a do 21,
fazem um
bom par de cuscas.
Tem o
som da criança que cai
e que se
volta a levantar
por
entre um ou outro ai
e da mãe
a lamentar.
Têm
pressa, têm calma,
têm
medo, têm confiança,
as lajes
da minha rua
têm fé e
perseverança.
Lamentam
o cortejo funerário
que
passou em comoção.
Sabem a
história do vigário
que
enganou com convicção.
Têm o
som sincronizado
dos crentes
na procissão,
de quem
vai extasiado
na sua fé
e devoção.
Têm o
tom monocórdico do pedinte
cuja
história conta com dramatismo,
com o
intuito de no ouvinte
despertar
o altruísmo.
Têm o
som do carteiro
batendo
com animosidade,
traz as
contas, o dinheiro,
a carta
e a publicidade.
As lajes
da minha rua
têm
alegria no movimento,
choro fácil
na pedra nua,
têm uma
história em cada momento.
Célia Gil

Há dias em que a luz
não brilha dentro de nós,
em que como a avestruz
só queremos ficar a sós,
fugir de tudo, ficar escondido,
sem saber bem o motivo,
em que tudo o que nos é dito
nos soa a adversativo.
Dias maus que chegam,
vêm, instalam-se em nós.
dias que nos desassossegam
mas que impõem a sua voz.
Têm grades invisíveis,
que nos impedem de nos mover,
nos tornam mais sensíveis
e com medo de sofrer.
O medo agiganta-se,
em nós o receio se impõe,
o dia acinzenta-se
e ao sol se sobrepõe.
E quando queremos sair,
estamos amarrados à tristeza,
deixamos até de sorrir,
presos à nossa fraqueza.
Precisamos de alguém
que nos liberte, nos dê atitude,
nos mostre de novo a amplitude
do brilho que o sol tem.Célia Gil
Tenho andado meio desaparecida, mas é por boas causas nesta minha nova função de representante da Educação na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens. É complicado, mas gratificante.
Hoje dedico esta publicação aos meus filhos, que fizeram anos este mês, nomeadamente 18 e 15. Continuo a vê-los pequeninos como na foto que partilho. Lembro os risos, os choros, as birras, as gracinhas, as noites de febre, os primeiros passos, as primeiras palavras, as brincadeiras tudo com IMENSA SAUDADE! Continuarão a ser para mim os meus bebés, nem que, como dizia Eugénio de Andrade, já não caibam na moldura ("Poema à Mãe").
Hoje dedico esta publicação aos meus filhos, que fizeram anos este mês, nomeadamente 18 e 15. Continuo a vê-los pequeninos como na foto que partilho. Lembro os risos, os choros, as birras, as gracinhas, as noites de febre, os primeiros passos, as primeiras palavras, as brincadeiras tudo com IMENSA SAUDADE! Continuarão a ser para mim os meus bebés, nem que, como dizia Eugénio de Andrade, já não caibam na moldura ("Poema à Mãe").

Vagueei dentro de mim,
planei pelas minhas emoções
e perdi-me
entre sensações e divagações.
Presa no interior umbilical,
a realidade nada me diz,
como quando chove lá fora.
Pensei que era o mais seguro,
que dominava cada partícula do meu íntimo...
Quão enganada estava,
perdi-me sem me encontrar,
e o abrigo em que me aconchegava
deixa entrar a chuva mais gelada.
Escureceu...
E este refúgio
é ainda mais assustador.
Quebrei a asa da razão,
no galho de uma ideia teimosa.
Perdi o sentido da vida
no rumo incerto da inexistência.
Deixei escapar a vontade
no cansaço de um dia repetitivo.
E senti o peso
do vazio.
Preciso sair de mim
para me reencontrar,
sem rumo,
sem direções,
sem obrigações,
sem decisões,
com uma liberdade livre,
num mundo
onde a felicidade é possível,
onde nada exigem de nós,
onde somos
sem a responsabilidade de sermos.
Célia Gil
A vida é um
relógio que não perdoa,
Não para, não faz
pausa, não esquece.
Irreverente,
constante, amanhece
Virando páginas
como quem voa.
E em cada
aniversário que passa
Resta-nos menos
um ano, mais um ponto final.
Sonho efémero que
nos ultrapassa
Ansia de nos
perpetuarmos. Afinal
Rodeamo-nos de
quem amamos,
Imaginamo-nos o
centro do universo,
Onde possamos
alcançar o que sonhamos.Célia Gil
Nem sempre brilha o sol na nossa vida,
nem sempre o sol irradia e faz sorrir.
E o manto da tristeza deixa entorpecida
a imagem de felicidade que se quer transmitir.
Porque o sol não brilhou para todos à nascença,
de igual forma, sem deficiências, sem problemas?
Porque vem o acaso dominar qual doença
quem não pediu para viver neste mundo de dilemas?
Porque traz a névoa a dor da perda, da ausência,
lançando a dúvida, questionando a fé, desorganizando a vida?
Porque cai um negro manto que faz perder a resiliência,
quando um acidente nos ensina o paradoxo da vida iludida?
É porque somos o que somos e não o que temos
que encaramos as deficiências, as perdas, as doenças, os acidentes
como uma provação que reforça o que podemos,
os sonhos que viveremos, as lutas que ainda travaremos,
porque, apesar de tudo, somos sobreviventes!
Célia Gil
pesadas, salgadas,
mas aroma gustativo que sabe bailar
e envolver como onda de espuma
a refrescar e a fazer sonhar.
E há palavras que sabem a(mar),
que invadem com o cheiro a mar,
fazem sentir na pele as gotículas do mar,
permitem-nos escutar o som do mar...
E quando essas palavras se juntam,
contam histórias de encantar.
E quando se juntam tragicamente,
contam histórias em que morre gente.
O mar que embala a alma que repousa,
é o mesmo que estala e ousa
pôr em perigo a vida de tanta gente.
O mar que dá vida a uma alma perdida
é o mesmo que lhe suga e lhe tira a vida.
Sítio escolhido para o amor,
local eleito para a dor.
Mas que é sepultura de quem morre sem querer,
mas que é sepultura de quem o escolhe para morrer.
É o mesmo mar que é pintura, literatura,
sonho, cultura, ternura...
Imensidão!
Célia Gil

(imagem de http://mentalidi.blogspot.pt)
que me invade a alma
e sinto o vazio preencher-me
de um pouco de nada.
Quero o aconchego
de uma lareira acesa
a crepitar-me por dentro.
A encher-me de sentimentos bons,
a presentear-me com histórias
que me embalem e me aqueçam.
Preciso de uma renovação,
renascer em mim,
reescrever o sentido da vida,
reencontrar a minha essência perdida,
purificar o coração,
redescobrir a emoção.
Vento cortante,
leva de mim a tristeza,
esvazia-me da mente a incerteza,
ampara esta alma errante.
Célia Gil

Há quem passe por nós
e de quem nada fica.
Vozes de quem está a sós
e anda meio perdida.
Há quem passe na vida
deixando um vazio,
pessoas que não nos aborrecem
nem nos aquecem o frio.
Há quem passe de asa solta
e voe sem direção,
semeando vazios à volta
sem abrir o coração.
Mas há as que nos agarram na mão
e nos estendem o braço.
As que dizem que não
mas que nos dão um abraço.
Mas há as que nos vigiam
e nos deixam sonhar,
que nos amparam e guiam
se o sonho falhar.
Mas há as que gritam
"Tens de continuar!"
São pessoas que ficam
e nos fazem lutar.
Mas há as que nos deixaram
a renascer da dor,
aquelas que na saudade legaram
um tratado de amor.
Célia Gil
Que faço aqui? Qual o meu lugar?
Porque não reconheço o que sou?
Procuro-me sem me encontrar...
Do que era nada ficou!
Porque me fizeram sentir indesejada?
Roubaram-me a identidade profissional.
Será que mereço ser condenada?
Digam-me, por favor, que fiz de mal?
E a angustia é porque tudo o que fiz
fi-lo com a máxima dedicação.
Porque quis o destino
arrancar-me dos pés o meu chão?
Falta-me a voz projetada
erguendo a taça do conhecimento,
ou simplesmente elevada
a pedir concentração e silêncio.
Célia Gil
(imagem do google)
à espera de serem contadas,
histórias loucas entrelaçadas
vêm, vão e voltam sempre.
Histórias com passado
que vivem de memórias
antigas, velhas histórias
de um passado bem guardado.
Histórias feitas do presente,
incríveis, quase irreais,
loucas, sensacionais,
que eu vivo e toda a gente.
Histórias feitas de futuro,
supostas, criações ficcionais,
imaginações a mais,
fugas a este mundo duro.
Histórias fervilham na mente,
aguardando serem contadas,
no papel armazenadas
e ficarem para sempre.
Célia Gil

(imagem do Google)
Nunca trilhamos todos os caminhos. Nunca sabemos nada. Quando pensamos que a vida nos ensinou tudo, novas situações se nos deparam e nos fazem questionar onde estivemos até ali, que desconhecíamos realidades tão presentes e prementes. Realidades que, às vezes, estão tão próximas... Tão próximas e tão distantes de as sequer supormos.Vivemos a vida que escolhemos ou nos foi dada a viver, não imaginamos que a rotina trabalho-casa nos torna tão ignorantes em relação a certas situações tão presentes na nossa sociedade, localidade, país... Faz-me até lembrar a personagem do limpa-vias que trabalhava no subway em Nova York, de sol a sol, desconhecendo os ritos e tradições e que, quando viu arroz caído no escuro da galeria subterrânea, pensou que era enviado por Deus para o sustentar a si e à família, quando eram restos do arroz atirado aos noivos em casamentos (Arroz do Céu, um conto de José Rodrigues Miguéis). Todos, afinal, todos sem exceção, somos um pouco como o limpa-vias, conhecemos só o que fazemos. Mas o maldito vício do ser humano julgar tudo, opinar sobre tudo, leva-o a comentar depreciativamente todas as classes profissionais, mesmo ignorando os meandros de cada profissão.
Devemos estar mais atentos ao que se passa à nossa volta, ser cidadãos mais ativos, sobretudo no dever cívico e moral. Ajudar com o que se pode a quem realmente precisa e se deixa ajudar, sinalizar situações que nos parecem irrisórias em relação a crianças e idosos vítimas de negligência e outras atitudes piores. "Mais vale prevenir do que remediar" e eu acrescentaria que a melhor maneira de remediar é prevenir!
Sejamos cidadãos ativos através de pequenos gestos que não nos roubam muito tempo, mas que farão, com certeza, toda a diferença para quem realmente precisa!
Célia Gil
Célia Gil
A amizade é preciosa,
mas não é dizer apenas sim,
que com palavra enganosa,
há falsos amigos de mim.
Amigos de conveniência,
estão ali por breves momentos,
amigos de ausência,
fogem dos meus tormentos.
Amigos que viram costas
sempre que mais precisamos,
amigos de quem gostas,
com os que mais nos enganamos.
Amigos de circunstância,
que te aguentam enquanto ris.
Mas que depois vão com a
distância,
quando simplesmente já não
sorris.
Amigos de profissão,
cujo objectivo é descobrir
os teus pontos fracos
para com eles subir.
Amigos dos teus bens,
que te dão tanto sem pedir,
mas que quando nada tens,
estão prontos a partir.
Amigos que te enganam,
aqueles que gostam de te apoiar,
que com palavrinhas te acalmam,
mas que te querem tramar.
E quando estás no apogeu
das tuas vitórias na vida,
o maior ciúme é o seu,
gente de inveja roída.
Isto tudo não é amizade,
não é dar sem nada esperar,
não é elogiar sem com nada
contar,
sentir a ausência e a saudade.
Isto não é amizade,
é um acto de cobardia,
para quem não se entrega e não
sabe
que a amizade é alegria.
Alegrar-me pelos meus queridos,
mesmo estando muito triste,
são sentimentos merecidos
da amizade que persiste.
E um amigo verdadeiro,
não tem inveja, fica feliz,
insiste,
é amigo por inteiro.
Mas, para além do que é bonito
de se dizer ou fazer,
um amigo também diz
coisas que nos fazem sofrer.
Os amigos abanam-nos
para nos chamar à razão,
mas não nos deixam de falar
até entenderem a nossa motivação,
o que nos levou a falar
a protestar, a objectar,
porque um amigo a sério,
perante uma atitude errónea,
é capaz de dizer não
mesmo que fique com insónia.
Ser amigo é ser
capaz
de perdoar o que não tem perdão,
mas é também fazer finca-pé,
chamar o amigo à razão
e saber dizer não!
Não é ser amigo de sangue,
mas amigo de coração.
Célia Gil
Célia Gil
(imagem do google)
Perdi a paciência para as pessoas sem escrúpulos, as pessoas que se dizem amigas e que, à primeira oportunidade, dão mostras de invejar tudo o que se tem ou se é.
Perdi a paciência para as pessoas que são amigas quando se está apenas na mó de baixo e que mudam radicalmente quando se está bem ou muito bem.
Perdi a paciência para conversas triviais, sem essência, sem núcleo.
Perdi a paciência para reclamações sem sentido, por tudo e por nada, por banalidades.
Perdi a paciência para as pessoas que passam a vida a queixar-se de qualquer ínfima contrariedade da vida, quando têm o que é essencial, a saúde.
Perdi a paciência para pessoas aborrecidas, que passam a vida a falar em trabalho, a criticar os outros e não conseguem rir com uma piada.
Nos limites da minha paciência, resta-me paciência para as crianças, para os idosos, para risos descontraídos, brincadeiras inofensivas, sorrisos sinceros...Para aproveitar a vida!
Célia Gil

Insatisfação (des)humana
Quem sou eu?
Quem nunca se questionou?
Quem nunca desejou
que o tempo voltasse atrás?
Todos pensamos e ponderamos
se escolhemos o melhor caminho,
a profissão certa,
a vida desejada…
Porque a vida desilude,
põe-nos a toda a hora à prova.
E se? E se?
Quantos ses na nossa vida…
O ser humano é assim,
um eterno insatisfeito!
Um pensador nato,
que perde tempo a interrogar-se,
passa a vida a lamentar-se,
os dias a desculpar-se
dos erros que não enfrenta,
das dificuldades que se lhe
deparam.
Sempre com a alma iludida,
insatisfeito por profissão,
sem encontrar uma razão,
passa ao lado da vida.
Célia Gil
Depois de tanto tempo sem aparecer, aqui estou eu, esperando que seja novamente para ficar.
Primeiro foi o ano cansativo de trabalho que tive. Depois das férias, foi o ser confrontada com a possibilidade de ficar sem emprego...
Só agora, já com algumas garantias, me senti com forças para regressar.
Estive tão triste que nem escrever conseguia. Só espero que a inspiração não se tenha esvaído com a tristeza de sentir que o meu querido país sentiu, depois de 21 anos de trabalho, que não fazia falta e que podia perfeitamente ficar sem trabalho. É triste toda a situação, os mega-agrupamentos de escolas, em que é quase impossível a uma só direção manter um ensino personalizado e de qualidade. O que interessa é a quantidade que podem poupar. Então, junta-se uma panóplia de escolas e, consequentemente, reduzem-se assistentes operacionais, professores, as turmas aumentam, e as escolinhas quase caseiras que tínhamos tornam-se fábricas de alunos em que o que interessa verdadeiramente não são os alunos e sim a economia do país. Se é preciso uma injeção de capital no país, então por que não mandar para a rua milhares de funcionários? É este o país da treta em que agora estou, e é triste quando nos sentimos a mais na nossa escola, no nosso país, quando onde há realmente gente a mais é na política!
Na minha escola, que era uma escola básica de 2º e 3º ciclo, nunca tive horário zero. Na escola ao lado, a secundária, quase sempre houve dois horários zero no nosso grupo de português. Ao juntarem as escolas, a nossa ficou, evidentemente, prejudicada. É muito triste e injusto.
Não sei é como conseguem dormir os nossos políticos sem se preocuparem com o facto de deixarem tanta gente sem emprego, nomeadamente famílias com filhos menores dependentes. Provavelmente, a instabilidade que os nossos filhos sentem em nós, ir-se-á refletir neles, e cedo começa a revolta, palavra que as crianças nem deviam conhecer, mas que muito novas vão descobrindo à força e com a política que temos. Onde está a esperança? Já não é possível às crianças de hoje viverem na ilusão das histórias de encantar, quando veem destruir todos os castelos em seu redor. É este o país/mundo que queremos? Mas é este o país/mundo que temos!
Desilusão
O que há em mim
hoje
é a solidão
existencial
que me deixa à
deriva.
Procuro-me no vazio
e encontro o nada.
Há momentos na vida
em que somos
soldados da paz,
espalhamos amor,
vivemos amizades,
partilhamos
respeito,
proclamamos fé,
seguros de nós,
autoconfiantes.
As dúvidas derrubam-nos
as certezas que se
tornam questionáveis.
Demoramos anos a
acreditar
em coisas que, num
minuto,
perdem a
credibilidade.
Vem a ansiedade
semear na alma o
desespero.
Vem a angústia
questionar a fé
e pô-la à prova.
Vem a desilusão,
qual vendaval,
levar o amor
soprando-o até ao
abandono.
Vem a falsidade
qual sismo
abrir fundas fendas
no sentido
da própria vida.
Vem a insegurança
roubar a
autoconfiança,
deixar o ser na
solidão.
O ser antes
confiante
é hoje alguém que
jaz,
só, triste e
errante.
E o soldado da paz
deposita as armas
no chão,
cansado de lutar
sozinho
por uma causa que
cria nobre,
mas que não passa
de causa vã.
Célia Gil
Célia Gil
Pátria morta
relembro um passado vitorioso,
heróis com grandes feitos gloriosos,
construíram uma Pátria feliz.
Orgulho retratado n'Os Lusíadas
pelo grandioso poeta Camões,
qual Nação escolhida que elegias
p'ra enaltecer a maior das Nações.
Mas os heróis caíram por terra,
rendidos numa nação sem esperança,
personagens de quem já nada espera.
Tão somente o desespero e a derrota
que levam ao crime e insegurança,
deixando-nos uma pátria morta!
Célia Gil
(imagem do google)
Desenho interrogações
no percurso incerto da existência.
E mil e uma questões
interrogam o meu cérebro cansado
de se procurar nos trilhos da essência.
O ontem é tatuado a frio,
doendo até ao hoje inseguro,
ameaçando um futuro incerto,
até deixar de haver certezas no horizonte.
O meu eu pequenino
encolhido, remetido às suas fraquezas,
inseguro, receoso, repleto de incertezas,
nem sempre encontra a paz desejada,
nem sempre encontra a calma ansiada.
A vida é uma batalha sem fim,
um jogo de desafios constante,
uma escada que nem sempre sobe,
um rio que nem sempre corre,
um frio que dói nos ossos da consciência,
a dor de um chão que nos foge com insistência.
Mas nós somos seres humanos
por isso continuamos...
Célia Gil
Estende os teus braços,
amolecidos pelo tempo,
num abraço terno
que sufoca de amor.
Do sorriso rasgado,
imperceptível palavra
a aquecer o coração.
Assim quereria, mãe,
continuar a morar
nos teus olhos,
continuar a ser
o mote do teu sorriso,
a estrela do teu dia a dia.
Só assim seríamos uma.
Fazes-me falta.
Deixaste um buraco
negro de saudade
a invadir-me o peito
e uma vontade indescritível
de ser abraçada por ti.
Saudade umbilical...
Célia Gil
o mote do teu sorriso,
a estrela do teu dia a dia.
Só assim seríamos uma.
Fazes-me falta.
Deixaste um buraco
negro de saudade
a invadir-me o peito
e uma vontade indescritível
de ser abraçada por ti.
Saudade umbilical...
Célia Gil
Sobre mim
Professora de português e professora bibliotecária, apaixonada pela leitura e pela escrita. Preza a família, a amizade, a sinceridade e a paz. Ama a natureza e aprecia as pequenas belezas com que ela nos presenteia todos os dias.
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