Weiss, Brian (2009). Muitas Vidas, Muitos Mestres. Lisboa: Pergaminho.
Tradução: Joaquim Nogueira Gil
N.º de páginas: 184
Início da leitura: 14/04/2026
Fim da leitura: 15/04/2026
**SINOPSE WOOK**
"Como psicoterapeuta tradicional o Dr. Brian Weiss sentiu-se espantado e ao mesmo tempo céptico quando uma das suas pacientes começou a recordar traumas de vidas passadas que pareciam conter a chave de pesadelos actuais e ataques de ansiedade. No entanto, esse cepticismo cedeu quando ela começou a canalizar mensagens do "espaço entre vidas" que continham revelações notáveis. Usando a terapia de vidas passadas foi capaz de curar a paciente e iniciar uma nova fase da sua carreira."
Muitas Vidas, Muitos Mestres, de Brian Weiss, é uma obra que dificilmente nos deixa, a nós leitores, indiferentes, seja pela natureza do tema que aborda, seja pela forma direta como é apresentada. Partindo de um relato clínico, o autor conduz-nos por uma experiência que cruza a prática psiquiátrica com territórios menos consensuais, como a regressão a vidas passadas, colocando em causa fronteiras tradicionais entre ciência e espiritualidade.
A leitura nasce, muitas vezes, de uma curiosidade semelhante à que motivou o primeiro contacto com este livro: a procura de respostas para os enigmas da mente humana. Weiss apresenta o caso de uma paciente que, através de sessões de hipnose, acede a memórias que não se enquadram na sua biografia atual. O mais surpreendente não reside apenas na natureza dessas recordações, mas sobretudo no efeito terapêutico que delas advém, sem recurso a medicação convencional.
O tom do livro é despojado e quase clínico, o que contribui para a sua eficácia narrativa. As sessões são descritas com base em registos gravados, preservando o formato de pergunta e resposta, o que confere autenticidade ao testemunho e aproxima o leitor da experiência vivida. Este recurso reforça o impacto do relato, tornando-o simultaneamente acessível e inquietante.
Contudo, é precisamente neste ponto que a obra suscita uma leitura crítica mais exigente. A ausência de um enquadramento científico rigoroso, ou, pelo menos, de uma problematização mais aprofundada das interpretações apresentadas, pode levantar reservas. A narrativa tende a assumir como plausível aquilo que, para muitos leitores, exigiria maior fundamentação ou confronto com outras perspetivas da psicologia e da neurociência. Assim, o livro oscila entre o testemunho pessoal e a proposta quase doutrinária, o que pode fragilizar a sua credibilidade junto de um público mais cético.
Ainda assim, não se pode ignorar o mérito da obra enquanto objeto de reflexão. Independentemente da posição que se adote face às suas premissas, o livro levanta questões pertinentes sobre a natureza da consciência, da memória, da supraconsciência e dos processos de cura. A sua leitura pode, por isso, ser entendida menos como uma validação de teorias e mais como um convite à interrogação.














