terça-feira, 24 de outubro de 2017

Deixar de ser

Célia Gil

No dia em que te esqueceste
de quem eu era, quem te era,
senti fugir o chão que me deste
e destruir-se toda a quimera.

A tua voz passou a ser vazia,
oca de histórias e de momentos,
uma voz sem contorno e vadia,
uma voz que não lê os pensamentos.

O teu sorriso também deixou de ser,
nos teus olhos já não moram ilusões,
quem te conhece há de compreender
o vazio em que vivem as tuas emoções.

Já não lês os sentimentos que me tomam,
não afloras os problemas, que desconheces.
E os dias são dias que apenas somam
horas e minutos de que logo te esqueces.

Passa a vida, a teu lado, ombro a ombro.
Tu olha-la de soslaio sem a reconheceres,
e todas as histórias que viveste são escombro
que olhas sem veres e sem entenderes.

E como criança outra vez nascida,
sucumbes ao carinho que ainda te acalenta.
És uma gaivota do ninho perdida,
numa noite sem céu e nevoenta.
   
                                                 Célia Gil






Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

7 comentários:

  1. Tu nos encantas SEMPRE! Lindíssima! Adorei! bjs praianos, tudo de bom,chica

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  2. Adorei o poema!
    Obrigada pelo carinho, querida Célia.
    Beijo

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  3. Como sempre ... belo!! Parabéns e beijinho com muita amizade.

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  4. Oi Célia,
    O poema é lindo, mas tem uma certa dose de tristeza que me doeu na alma.
    Bjs

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  5. Um poema absolutamente brilhante,desejo tudo de bom para ti!!

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  6. Muito obrigada a todas pelas palavras gentis! Bjs

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