segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O Presságio da Sereia

Célia Gil


O Presságio da Sereia, Katy Gardner, traduzido por Luísa Feijó, é um livro com uma história cativante do início ao fim. Lê-se compulsivamente, pela sua intensidade, mistério e suspense… Com um final completamente inesperado.
Cass é uma professora de História que vive em Londres com o seu companheiro de há quase dez anos, Matt, e que decide aceitar uma proposta para assistente universitária em Brighton. É quando muda para Brighton, que todos os seus problemas começam.
As memórias dolorosas de um segredo que acabou de destruir o que restava da sua já problemática infância e mudou a sua vida para sempre começam então a assombrá-la. E a crescente sensação de que está a ser observada, numa altura em que violentos ataques a estudantes estão a ocorrer em pleno campus universitário, transforma o seu receio num imenso pânico que ameaça sugá-la. Será ela a próxima vítima? Ou haverá uma razão mais sinistra para que tenha sido precisamente Cass a ser transformada em alvo? Além disso, Brighton não é uma escolha natural para uma mulher com um já antigo medo do mar. Cass pode ter tentado encerrar um capítulo da sua vida ao deixar Londres, mas cedo vai descobrir que alguns elementos da sua nova existência são igualmente perturbadores. Segredos que tinha conseguido esquecer durante toda a sua vida são agora descobertos e revividos pela protagonista deste livro. No percurso de Cass, existem dois alunos que vão ter um papel muito importante na revelação deste segredo. Ao sentir-se pressionada, a professora vê-se obrigada a contar que teve de abandonar um filho, fruto de uma violação, quando tinha apenas 15 anos. Este é um livro capaz de nos transmitir as mais variadas emoções. E, como nos é dito na capa do livro, “Os segredos mais profundos arrastam consigo correntes sombrias”.
Esta obra fez-me realmente pensar nos segredos que todos escondem e não querem que sejam descobertos. No entanto, isso nem sempre acontece! Por mais voltas que a vida dê, se existir alguma coisa do passado que intimide, mais tarde ou mais cedo, vem ao de cima. Neste livro, pode observar-se a reação de pânico que o ser humano tem quando pensa que vai ser “descoberto”. É algo que a todos ultrapassa, algo que nunca se consegue nem se vai conseguir controlar. Porém, por outro lado, a revelação pode constituir o primeiro passo para a libertação, uma autêntica catarse.

Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

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