A Detetive Russa, Carol Adlam

 Adlam, Carol (2025). A Detetive Russa. Alfragide: Edições ASA II.

Tradução: José Menezes
N.º de páginas: 112
Início da leitura: 16/01/2026
Fim da leitura: 20/01/2026

**SINOPSE**
"Nesta impressionante reimaginação de um thriller policial russo do século XIX do mundo de Dostoiévski, Carol Adlam apresenta Charlie Fox, jornalista, mágica, mentirosa e ladra, que relutantemente retorna à sua cidade natal, Nowheregrad, para investigar o assassinato de Elena Ruslanova, filha de um fabricante de vidro fabulosamente rico.
Em Nowheregrad, Charlie vê-se envolvida numa história de múltiplas camadas que é contada através dos dispositivos visuais ricamente variados da época. com a ajuda involuntária da sua amante, Netochka, Charlie desvenda o mistério da família Bobrov, apenas para enfrentar a verdade sobre si mesma.
Requintadamente desenhada e contada de forma convincente, a narrativa complexa e elegante de Adlam dá vida aos legados perdidos da ficção policial antiga e das primeiras mulheres jornalistas e detetives."

A Detetive Russa, de Carol Adlam, apresenta-se como uma reinvenção singular do thriller policial russo do século XIX, dialogando com o universo literário de Dostoiévski, não apenas na atmosfera sombria e moralmente ambígua, mas também na complexidade psicológica das personagens. Trata-se de uma novela gráfica pouco convencional, que desafia as expetativas habituais do género e exige do leitor um envolvimento atento e paciente.
A obra não se revela de leitura imediata ou linear. Em vários momentos, a articulação entre a componente gráfica e a narrativa torna-se exigente, chegando mesmo a parecer dispersa, o que pode dificultar a compreensão global da história. A linguagem visual não funciona aqui como mero apoio ao texto, mas como um elemento autónomo, por vezes enigmático, que obriga o leitor a interpretar e a estabelecer ligações nem sempre evidentes.
Carol Adlam apresenta como protagonista Charlie Fox, uma figura deliberadamente ambígua: jornalista, mágico, mentiroso e ladrão, cuja identidade oscila entre o masculino e o feminino. É esta personagem que, de forma relutante, regressa à cidade natal, Nowheregrad, para investigar o assassinato de Elena Ruslanova, filha de um fabricante de vidro extraordinariamente rico. Este acontecimento serve de ponto de partida para uma narrativa marcada por investigações sinuosas, intrigas constantes e sucessivas reviravoltas.
A leitura pode tornar-se complexa, e por vezes confusa, à semelhança de muitas investigações criminais, devido à multiplicidade de personagens suspeitas, às mentiras sobrepostas e à abundância de detalhes que exigem atenção permanente. 

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