Peças, Víctor L. Pinel

Pinel, Victor L. (2025). Peças. Benavente: Ala dos Livros.

Tradução:Helena Romão
N.º de páginas: 176
Início da leitura: 28/01/2026
Fim da leitura: 30/01/2026

**SINOPSE**
"«A vida é como um jogo de xadrez. Fácil de aprender, divertido de jogar, difícil de ganhar… impossível de controlar!»

As portas de um eléctrico abrem-se e um jovem vislumbra uma mulher que nunca mais voltará a ver, mas pela qual se apaixona. É este o ponto de ponto de partida desta obra em que os protagonistas, todos com relações pessoais falhadas, são como peças num jogo de xadrez. Os peões perguntam-se se não estará na altura de sacrificar uma peça para continuarem a avançar. Os bispos cruzam-se sem nunca se encontrarem verdadeiramente. O cavalo, livre, capaz de saltar por cima das outras peças, mas vulnerável porque, por mais esquivo que seja, um cavalo pode ser apanhado por um simples peão. Todos avançam, confrontam-se, movimentam-se nas suas vidas como num tabuleiro de xadrez. Estão todos ligados sem o saberem e prestes a jogarem um jogo que irá mudar as suas vidas."
Peças, de Víctor L. Pinel, afirma-se como uma novela gráfica de grande inteligência narrativa e visual, na qual o jogo de xadrez funciona simultaneamente como dispositivo estrutural e metáfora central da condição humana. As personagens são-nos apresentadas a partir desse tabuleiro simbólico e é nele que se desenham as suas relações, escolhas e conflitos. Cada movimento parece calculado, mas a ilusão de controlo é constantemente posta em causa, lembrando-nos que, tal como no xadrez, a vida raramente se resolve de forma linear ou previsível.
Pinel constrói um universo onde ganhar ou perder não são categorias absolutas. As personagens avançam, recuam, sacrificam peças e, por vezes, cometem erros que condicionam todo o jogo. Há espaço para a hesitação, para a falha e até para a batota, elemento que introduz uma interessante ambiguidade moral: até que ponto as regras são invioláveis quando a sobrevivência emocional ou social está em causa? Esta tensão confere profundidade psicológica à narrativa e impede leituras simplistas.
Visual e tematicamente coesa, Peças é uma obra que convida à reflexão sem perder fluidez nem capacidade de envolvimento. Trata-se de uma novela gráfica que alia forma e conteúdo com notável equilíbrio, oferecendo ao leitor uma experiência rica, simultaneamente lúdica e inquietante. Pela originalidade da abordagem e pela forma como espelha, com subtileza, as estratégias e fragilidades da vida quotidiana, é uma leitura que se recomenda vivamente.

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