Morte no Sanatório, Ragnar Jónasson

Jónasson, Ragnar (2024). Morte no Sanatório. Lisboa: TopSeller.

Tradução: Maria da Fé Peres
N.º de páginas: 256
Início da leitura: 17/01/2026
Fim da leitura: 19/01/2026

**SINOPSE**
"Akureyri, Norte da Islândia, 1983
Outrora um hospital dedicado ao tratamento da tuberculose, o Sanatório de Akureyri é agora assombrado apenas pelos fantasmas do seu passado. Uma única ala permanece aberta, que se dedica a investigação científica, albergando seis funcionários: dois médicos, três enfermeiras e o zelador.

Quando Yrsa, uma das enfermeiras, é brutalmente assassinada, torna-se evidente que a morte nunca abandonou aquele lugar. É aberta uma investigação em torno dos cinco suspeitos, mas o caso é rapidamente encerrado.

2012
Helgi Reykdal, um jovem criminologista, decide regressar à Islândia após lhe ser oferecido emprego na polícia de Reiquiavique, no seguimento da reforma de Hulda Hermannsdóttir, uma das investigadoras responsáveis pelo caso de Yrsa. Embrenhando-se cada vez mais no passado, Helgi decide tentar encontrar os antigos suspeitos. o que encontra, no entanto, é uma teia terrível de segredos, traições e mentiras."
Morte no Sanatório, de Ragnar Jónasson, foi o segundo contacto que tive com a obra do autor, o que acabou por despertar a necessidade de recuar ao início e ler também o primeiro livro. Esta experiência revelou-se bastante gratificante, não só por permitir compreender melhor o universo narrativo do escritor islandês, mas também por confirmar a consistência do seu estilo e da sua abordagem ao género policial.
A ação decorre num antigo sanatório, outrora destinado ao tratamento de doentes com tuberculose, um espaço carregado de memória, isolamento e um certo peso histórico que o autor explora de forma muito eficaz. Embora a maior parte do edifício esteja desativada, uma ala permanece aberta para fins de investigação científica, criando um contraste interessante entre passado e presente. É neste cenário claustrofóbico e isolado que ocorre o assassinato de uma das enfermeiras envolvidas no projeto, transformando imediatamente os restantes cinco membros da equipa nos principais suspeitos.
Ragnar Jónasson constrói a narrativa com mestria, apostando mais na atmosfera, na psicologia das personagens e na tensão silenciosa do que na ação frenética. O ambiente fechado do sanatório funciona quase como uma personagem adicional, intensificando a sensação de desconfiança e de inevitabilidade. O leitor é constantemente levado a questionar as motivações e segredos de cada interveniente, num jogo subtil de pistas e falsas certezas.
Um dos grandes méritos do romance é a forma como o autor consegue envolver o leitor e surpreendê-lo quanto à identidade do assassino. A revelação final é coerente, mas inesperada, o que demonstra um domínio sólido da estrutura do enredo policial. Nota-se claramente a influência dos policiais clássicos, tanto na construção do mistério como no ritmo contido e na importância dada à dedução, mais do que ao espetáculo.
Morte no Sanatório confirma Ragnar Jónasson como um autor que respeita a tradição do género, mas que lhe imprime uma identidade própria, marcada por ambientes frios, isolados e psicologicamente densos. A sua escrita é segura, elegante e eficaz, tornando este livro uma leitura envolvente e recomendável para os amantes de romances policiais clássicos com um toque nórdico e contemporâneo.

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