quinta-feira, 14 de abril de 2011

Conto infantil - A decisão dos peixes

Célia Gil
O golfinho Papo de Anjo

resolveu reunir certo dia

com todos os peixes do oceano

pois uma decisão urgia.

Logo se juntaram em assembleia

para ouvir o peixe-mor,

assim era para a plateia

aquele golfinho-senhor.



Papo de Anjo então falou:

“Meus amigos e peixes queridos,

sabeis, por quem sou,

que vos quero destemidos

pelas águas destes mares,

felizes e bem nutridos

livres de todo o tipo de azares.

Mas ouvi a um humano

que nos querem liquidar,

um espécime insano

adormecer-nos-á para nos pescar.”


Logo se manifestou

toda aquela assembleia

e o tubarão Tó falou

perante esta plateia:

“Não podemos permitir,

precisamos de uma solução

e a quem nos quer consumir

que aprenda para sempre a lição.”



Os peixinhos mais pequenos

e a raia Boneca miúda

pareceram, de repente, menos,

encostados à baleia Bala graúda.

Tão temerosos estavam,

era tamanho o perigo,

que todos se juntavam

à procura de um abrigo.

E logo a baleia Bala, inchada,

fazendo, de repente, peito,

disse em menos de nada,

sabendo-se digna de respeito:

“Bastaria uma só golada

para a todos engolir,

mas ficaria enjoada

e outros voltariam a vir.

Por isso, não vamos lá assim,

temos de nos acalmar,

falar com eles, isso sim,

e uma decisão tomar!”



Mas a arrazoada Fafá faneca

logo ali interveio,

ela até era bem esperta

e de sua boca lhe veio:

“Não nos podem ouvir falar,

isso estragaria os planos,

querer-nos-iam apanhar

para mostrar a outros humanos.”



Todos concordaram prontamente.

A Fafá faneca tinha razão,

teria de haver uma maneira diferente

de lhes dar uma lição.




                                 O golfinho Papo de Anjo,

que ia ouvindo as opiniões,

fez escutar ao oceano

as suas tomadas decisões:

“Vamo-nos de mortos fingir,

à superfície todos boiando,

vereis que se hão-de ir,

suas ideias abandonando.

Pensarão que algo de anormal

terá estas águas contagiado,

algo de estranho e infernal

terá os peixes matado.”



Logo todos concordaram

e de mortos se fingiram.

À superfície todos boiaram

e os humanos, assustados, fugiram.

Os peixes fizeram a festa,

comemorando a vitória.

Ainda não foi desta

que não ficaram para contar a história.
                                                 Célia Gil




(imagens do Google)






Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

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