sábado, 23 de abril de 2011

Funeral de quem morreu de amor (poema de humor)

Célia Gil

(imagem do Google)

O meu coração parou,

houve confusão geral,

logo o pânico se instalou,

planearam-me o funeral.

Fiz questão de frisar

que a paragem fora interior,

ninguém queria acreditar,

chamaram logo o prior.

Com certeza eu estaria

pelo demónio possuída,

uma morta não conseguiria

erguer a voz de arguida.

Mas neste tribunal do povo

é difícil ter razão,

não se nasce de novo

quando pára o coração.

Como arguida continuei,

morrera apenas o amor,

assim argumentei

mas não consegui qualquer favor.

Houve um grande reboliço,

todos em volta de mim

e, naquele ar mortiço,

estava espelhado o meu fim.

Não me adiantou falar,

para todos os efeitos estava morta,

não vale de nada argumentar

quando a morte bate à porta.

Mandaram vir o prior,

fui benzida e abençoada,

encomendaram-me a alma ao Senhor

e por todos fui rezada.

É que em situações assim,

o melhor é mesmo calar,

não gaste com o povo o seu latim

com este não se pode argumentar.

Assim reza esta história

de quem morreu por amar.

Para sempre fica a memória

de quem não se soube explicar.

E a lição está tirada,

não foi uma história em vão,

não fique a pessoa descansada

quando lhe pare o coração!
                                          Célia Gil

Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

3 comentários:

  1. Olá!
     
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