terça-feira, 29 de novembro de 2011

Efemeridade

Célia Gil
(imagem do google)

Um dia não mais estarei cá
para sonhar,
para sorrir,
para chatear,
para me divertir...
Um dia não mais estarei cá!
E esta ideia da humana efemeridade
invade-me semeando a nostalgia,
antecipando a saudade.
O que somos? Para quê tanto esforço?
O que levamos desta vida?
Para quê lutar sem parar,
trabalhar, trabalhar, trabalhar?
Se eu sou tão pouco,
se sou um pequeno grão de areia
na vastidão do universo...
Se serei lembrada, se for,
apenas no dia do meu aniversário
e no dia da minha morte?
Assim é a nossa sorte
que tem o tempo como adversário.
Para quê criar quezílias,
perder tempo em discussões
e esconder emoções?
Um dia não mais estarei cá,
pagarei ao barqueiro
para atravessar para o lado de lá.
Por isso vou viver o melhor que puder,
o melhor que souber
sem me angustiar
com o que tem forçosamente
de passar...
                                    Célia Gil

Célia Gil / Professora

É professora de português e professora bibliotecária. Gosta de ler e de escrever. Este é o seu espaço de partilha de alguns textos que escreve.

18 comentários:

  1. Belas reflexões, profundas e tão verdadeiras...E tens razão...A efemeridade é uma realidade. Vamos então deixar de bobagens e fazer da vida cada dia algo bem legal, pra valer a pena.

    Sei que nem sempre dá, mas na maioria das vezes podemos... beijos,tudo de bom,chica

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  2. Apesar de nossa efemiridade,muitas vezes sonhamos que somos eternos, deixamos para depois adiamos, postergamos, deixamos passar, não vemos as crianças crescerem, nos achamos eternos,mas o tempo se esvai como a areia entre nossos dedos.
    Beijosss

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  3. Penso(quase) igual a Flor*, acredito que sou Eterna, por enquanto*
    ...sei que um dia vou mudar, adio" essa ideia, o amanhã parece longe, entrego nas mãos de Deus.
    Beijos .

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  4. Oi Célia,
    Este poema me fez chorar... não sei se vc sabe mas tive CA de mama em 2009 e o "Gosto disto!" foi uma reação à doença, pois não aguentava mais falar de doença e orações. Queria falar do que eu gostava. Daí o nome do blog.
    Na semana que passou estive na expectativa, pois surgiu a possibilidade de reicidiva da doença e eu me senti exatamente como a sua poesia! Agora os exames deram negativos e eu já estou respirando aliviada.
    Beijos 1000 e uma noite maravilhosa para vc.

    www.gosto-disto.com

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  5. ... voltei.
    Se vc gosta dos meus posts, então acho que vai gostar muito do meu post de sexta-feira. Não perca!
    Bjkas

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  6. Célia, quando comecei a ler o teu poema, veio-me, de imediato, à memória o texto de Sophia, "Um dia quebrarei todas as pontes..."
    Desse poema guardo uma recordação dolorosa.

    Dava, nessa altura, Literatura Portuguesa a uma turma de 11º ano.
    Estudávamos autores contemporâneos e eu propus aos alunos uma pesquisa da qual resultasse o seu poema favorito.
    As meninas, quase sem excepção, escolheram Florbela.
    Um dos rapazes trouxe-me o poema de Sophia.
    Estava, na altura, psicologicamente, abatida.
    Quando o jovem começou a ler, não consegui conter as lágrimas, perante a estupefacção geral.
    Nunca mais me atrevi a ler ou analisar esse poema numa aula.
    Agora mesmo, dou por mim com os olhos razos de água.
    Alguma profunda dor, essas palavras despertam em mim.

    Beijo, amiga.

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  7. Um dia e nesse dia todos teremos parceria amiga.
    Muito belas considerações!!
    Beijos

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  8. Olá Célia
    Temos que aprender a valorizar cada minuto de nossa vida, nada é eterno. Viver o presente com intensidade e em paz ao lado das pessoas que amamos porque o amanhã a Deus pertence!
    Beijos

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  9. oi Célia querida,

    as vezes penso que é
    melhor não nos darmos
    conta de que um dia
    vamos viajar para o lado
    de lá do oceano...
    mas ao mesmo tempo sabemos que um dia,
    esse dia vai chegar...
    viver e viver bem,
    é a melhor maneira de esperar pela viagem...

    beijinhos

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  10. Celia,essa tb é a conclusão que cheguei depois de anos de depressao sem sentido!A vida é tão curta,passa tão depressa!Vamos aproveitar!Ficou muito bonita sua poesia!Bjs,

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  11. Olá,Célia!!!

    Lindo querida!!!E é esta noção de efemeridade que nos faz amar mais, viver mais, dar o melhor que tivermos todos os dias!!!
    Pois acredito que todo o amor e conhecimento que tivermos plantados levaremos conosco!
    Beijos querida!!!

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  12. Célia, obrigada pelo carinho.
    Tem um bom dia.
    beijo.

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  13. Oi Célia, é verdade mesmo, temos que viver o melhor que pudermos, sem nos angustiarmos, lindo seu poema, beijos e ótimo dia!

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  14. Linda Célia, algum dia não mais estaremos cá, a dividir com outros um pouco de nós... Quando saímos de nós, deixamos coisas nos outros, e essas coisas tem luz, e será o nosso sol em outra atmosfera.

    Mas vamos tratar de viver o máximo que podermos para não nos arrependermos quando a hora nunca certa chegar... rs

    Abraços calorosos minha cara

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  15. Às vezes também penso assim...para quê? Porque nos aborrecemos? porque damos impoetância a pequenas coisas que...depois de "espremidas" não nos trazem senão dissabores???
    para quê fazer planos??? Onde estremos "amanhã"? Somos pequemos, somos "pó"! Vale a pena?
    Cheguei à conclusão que apenas devemos viver o momento...como as rosas do Jardim de Adónis!

    FOI UM IMESO PRAZER conhecer o teu blog.
    Obrigada.

    BShell

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  16. Embora sabemos que um dia passaremos para o lado de lá não pensamos....só de vez enquando mas passa logo...
    Um poema que transmite a nossa realidade....
    Gde beijo

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  17. E se pararmos para perceber basta pouco pra sair desses momentos tristes.Sua poesia demonstra bem isso,fantástica!Abração!!!

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  18. Lindo dia querida!
    Com a paz de um dia lindo!
    Amo receber sua visita,me deixa radiosa e cheia de vida,com muita alegria,kkkkkkkkkkkkkk
    Mas dentro da nossa realidade de vida foi expresso nesse poema com maestria para nossa reflexão...
    bjs

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