sábado, 19 de março de 2011

Pai


(foto daqui)
Soneto escrito em 1993, pouco antes de o meu pai falecer, tendo ele apenas 49 anos, com doença prolongada. A escrita foi a minha confidente de momentos dolorosos! É difícil dizer o que se sente quando o nosso pai olha para nós e não nos reconhece! Hoje, Dia do Pai, não queria deixar de lhe prestar esta homenagem! Foi para Angola com sete anos. Casou lá e regressou a Portugal sem nada, tendo de recomeçar a vida do zero. Como técnico de análises clínicas, soube sempre o ponto da situação em relação à sua doença, mas lutou até ao fim. Foi um lutador, o meu campeão, o meu exemplo! Estará sempre no meu coração!


Quero gritar ao mundo a minha dor
para assim aliviar esta tensão,
derramar lágrimas de dissabor
que andam perdidas no meu coração!

Queria ser como Asclépio, feiticeira,
para poder recuperar a vida
e dá-la a quem por ela em vão suplica,
a quem se sente sem eira nem beira.

Assim, resta-me apenas a esperança
ainda que ténue, ainda que vaga,
de poder beijar tua face branca,

ainda que por segundos de angustia.
Erguer os meus grous e flores de astúcia
e libertar-te de tão triste saga.
                                      Célia Gil (1993)

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