Medel, Helena (2021). As Maravilhas. Lisboa: Publicações Dom Quixote.
Tradução: Vasco
Gato
Nº
de páginas: 208
Início
da leitura: 19/05/2022
Fim
da leitura: 20/05/2022
**SINOPSE**
Qual
o peso da família nas nossas vidas, e qual o peso do dinheiro?
Que
acontece quando uma mãe decide não cuidar da sua filha, e quando uma filha
decide não cuidar da sua mãe?
Seríamos
diferentes se tivéssemos nascido noutro sítio, noutro tempo, noutro corpo?
Neste
romance há duas mulheres: María, a que em finais dos anos sessenta deixa a sua
vida numa cidade de província para trabalhar em Madrid; e Alicia, que faz o
mesmo caminho trinta anos mais tarde, por razões distintas. E há, claro, a
mulher que as une e de quem praticamente não se fala: filha de uma e mãe da
outra.
As Maravilhas é um romance sobre o dinheiro, ou melhor, sobre como a falta de dinheiro pode determinar uma vida inteira de precariedade e matar todos os sonhos. Mas é também uma história sobre cuidados, responsabilidades e expetativas e sobre o passado recente desta nossa Península Ibérica, desde finais da ditadura até à explosão do feminismo, contada por duas mulheres que tão-pouco podem ir às manifestações lutar pelos seus direitos porque têm, claro, de trabalhar.
As
Maravilhas foi “Melhor
Livro do Ano 2020, recebendo o Prémio Francisco Umbral.
Gostei
deste livro, que retrata, de uma forma dura, como pode uma vida dar uma volta
de 180 graus. São histórias de mulheres, das suas entregas, das dificuldades
que enfrentam, das suas lutas diárias, dos seus medos e sonhos. São mulheres
que representam a sociedade, as desigualdades que estão na origem das suas
personalidades, da forma como pensam e agem.
Em
épocas distintas (de 1969 a 2018), três mulheres – María, Carmen e Alicia - a
história de uma família que se desagregou e dos dramas femininos de que vão
sendo feitas as suas vidas e vivências.
María
é oriunda de famílias humildes, engravida aos 16 anos, acaba por ser abandonada
pela filha e vive toda uma vida de intenso trabalho. Alicia é uma jovem que
vive com todo o conforto que o negócio do pai lhe proporciona, mas não tem o
carinho da mãe, que mal vê, pois passa o tempo fechada no quarto. Quando o pai,
por dívidas acumuladas, vê como única saída o suicídio, não imagina o quanto a
sua morte afetará a vida das filhas, em especial de Alicia, cuja morte do pai
se torna num pesadelo recorrente e que vê a sua vida, de repente,
desmoronar-se, sendo obrigada a mudar de escola, de casa, a trabalhar… Ela, que
era uma jovem mimada, arrogante e até pretensiosa… Mas, afinal, de que forma se
interligam as vidas destas mulheres?
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